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Caderno Mercado

Inflação da energia encarece de pãozinho a grandes obras

Inflação da energia encarece de pãozinho a grandes obras

O valor cobrado pelo pãozinho nas padarias vai muito além da simples mistura de farinha, água, fermento e sal, pois quase 30% desse montante corresponde a despesas com eletricidade, gás e combustíveis utilizados na produção e no transporte dos ingredientes.

O peso invisível da energia na economia

Essa fatia oculta está presente em praticamente todas as mercadorias e serviços comercializados globalmente. No cenário nacional, contudo, esse encarecimento disparou e assumiu um papel central na pressão inflacionária, corroendo o poder de compra da população e reduzindo a competitividade do mercado interno.

Um levantamento inédito elaborado pela Ex Ante Consultoria Econômica a pedido da Abrace detalha como essa dinâmica afetou 48 itens essenciais entre 2000 e 2026, abrangendo setores como alimentação, vestuário, transporte e saúde.

“As pessoas enxergam quanto gastam com tarifa de energia, para comprar um botijão ou abastecer o carro no posto, mas não veem a conta invisível que está embutida na produção”, afirma Fernando Garcia, coordenador do estudo e sócio-diretor da Ex Ante.

O especialista reforça que o problema se espalha por toda a cadeia produtiva: “E tem custo de energia escondido em tudo: alimentos, material escolar, remédios, produtos para construção, vestuário, veículos, no copinho de plástico e nas máquinas que produziram tudo isso —e quando esse gasto com energia aumenta, se espalha pela economia. É o que está acontecendo.”

Desvantagem competitiva e perda industrial

Enquanto a inflação energética avança no país, o custo para o setor produtivo nacional cresceu de forma muito superior à de outros mercados internacionais, como Estados Unidos e União Europeia.

Para Daniela Coutinho, vice-presidente da Abrace Energia, o cenário exige atenção imediata das autoridades: “Quando a energia fica mais cara, a indústria perde competitividade, produz menos e esse custo acaba chegando ao bolso dos brasileiros na forma de produtos e serviços mais caros”, afirma.

Ela acrescenta um alerta severo sobre o futuro econômico: “Persistir nessa política anti-industrial de energia significa comprometer a produção, o emprego e o desenvolvimento do país.”

Falta de estratégia de longo prazo

Segundo os especialistas responsáveis pela pesquisa, o encarecimento contínuo decorre da ausência de um planejamento estratégico sustentável, marcado por subsídios cruzados e decisões pontuais que acabam pesando na tarifa final paga pelos consumidores.

“Não adianta dar com uma mão e tirar com a outra, porque é isso que os governos têm feito: conta de luz barata para uns, pão mais caro para todo mundo”, resume Garcia.

Fonte: Folha - Mercado