Empresas mudam jornadas e apostam em tecnologia após fim da escala 6×1
Companhias dos setores de logística, varejo, alimentação e agenciamento marítimo estão empenhadas em preservar a eficiência nos horários de maior fluxo de trabalho, mesmo diante da recente alteração nas jornadas de trabalho provocada pelo fim da escala 6×1.
A nova legislação e os impactos na rotina corporativa
A Proposta de Emenda à Constituição que encerra a escala 6×1 foi aprovada pelo Senado e promulgada pelo Congresso Nacional, estabelecendo o limite de 42 horas semanais 60 dias após a sanção e 40 horas em até 14 meses, mantendo os salários intocados. Diante disso, corporações como Unimar, Loggi, Pizza Prime e Klivex redesenharam seus modelos operacionais para evitar gargalos nos momentos de pico.
Estratégias no agenciamento marítimo e na logística
No setor de agenciamento de navios, onde a imprevisibilidade é constante, a Unimar recorreu a bancos de horas, negociações sindicais e automação avançada. “A gente tem de reduzir esse custo em folha e não há outro jeito que não seja tecnologia e otimização de processos. Precisamos preservar a operação nos momentos de maior demanda”, afirma Thiago Santos, diretor de estratégia corporativa da Unimar.
Já a Loggi antecipou testes de reorganização de turnos em centros de distribuição durante a alta temporada. “A experiência nos permitiu avaliar, na prática, uma nova organização das jornadas de trabalho, buscando conciliar as necessidades da operação com mais equilíbrio e qualidade de vida para os colaboradores. Os resultados foram positivos e nos deram segurança para ampliar a iniciativa ao longo de 2026. Para uma operação logística, especialmente em períodos de alta demanda, contar com equipes mais estáveis faz toda a diferença”, diz Juliana Sorrentino, gerente sênior de pessoas.
Desafios no comércio e no setor de alimentação
O atendimento ao consumidor aos finais de semana também exige adaptação no varejo e na gastronomia. A Klivex, distribuidora sediada no interior paulista, planeja folgas rotativas com domingos livres para as lojas físicas e turnos de segunda a sexta-feira em seu centro de distribuição. “O desafio para uma empresa do nosso porte é reorganizar as escalas sem perder qualidade no atendimento”, analisa o diretor-executivo, Mauro Silveira.
Para a rede Pizza Prime, a reestruturação é vista pelo prisma da gestão estratégica. “É a chance de aprimorar a eficiência operacional, fortalecer a gestão das equipes e construir um ambiente de trabalho cada vez mais sustentável”, afirma o fundador Gabriel Concon. “Acreditamos que um time mais descansado também atende melhor”, completa Silveira.
Fonte: Folha - Mercado