Polícia Federal indicia deputada Gorete Pereira em esquema de fraude no INSS
A Polícia Federal indiciou a deputada Gorete Pereira (MDB-CE) e mais 28 pessoas no âmbito da Operação Sem Desconto, investigação que apura retiradas não autorizadas em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) promovidas por associações de aposentados e pensionistas.
Esquema de desvios e articulação política
A parlamentar foi indiciada sob a sospeita dos crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário qualificado e lavagem de dinheiro. O relatório final da corporação aponta que empresas de fachada registradas em nome de familiares e prepostos da deputada teriam movimentado pelo menos R$ 11 milhões.
O documento policial detalha que a deputada atuava como articuladora política do esquema, valendo-se de sua influência pessoal junto ao alto escalão da autarquia para viabilizar e blindar os Acordos de Cooperação Técnica firmados com as entidades fraudulentas.
Relação com a cúpula do INSS
Segundo a investigação, a parlamentar mantinha forte proximidade com a gestão do órgão previdenciário. Os investigadores apontam que ela tratava o então presidente do instituto, Alessandro Stefanutto, como amigo e que chegou a ser chamada de irmã por ele, além de manter contato sistemático com outros servidores.
No inquérito, a polícia e o Ministério Público Federal tentaram prender a deputada, mas o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, negou a medida em março, optando por impor monitoramento por tornozeleira eletrônica e restrição de circulação. Mesmo sob essas medidas, ela concorreu nas eleições de 2024, recebeu 3.615 votos e garantiu a suplência.
Outros indiciados e repasses financeiros
Além da parlamentar, o inquérito atingiu outros nomes centrais, como a advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente de duas associações de aposentados, indiciada por falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, estelionato e organização criminosa. A apuração indica que ela operacionalizava o pagamento de propina a servidores públicos através de contas próprias e de seu escritório de advocacia.
Entre os beneficiários dos repasses ilícitos estaria o escritório de Eric Fidelis, filho de André Paulo Félix Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS. O filho teria recebido R$ 2,4 milhões em 2024 e foi indiciado por organização criminosa e lavagem de dinheiro, enquanto o pai também foi responsabilizado por corrupção passiva.
Posicionamento das defesas
Procurado pela imprensa, o advogado Waldir Xavier, que representa a parlamentar, afirmou que ela ainda não foi oficialmente cientificada de qualquer indiciamento e, por essa razão, não tem como se manifestar sobre a sua natureza delitiva.
O defensor acrescentou que tem confiança na apuração dos fatos, sob a supervisão do ministro André Mendonça, do STF, e “certeza de que a conduta por ela adotada foi pautada na licitude de seus atos”. Os representantes legais de Eric e André Fidelis informaram que não tiveram acesso ao relatório final e, por esse motivo, não puderam se posicionar sobre as acusações. A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Cecília Rodrigues Mota.
Fonte: Folha - Mercado