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Caderno Mercado

Contas bancárias infantis ensinam finanças, mas exigem atenção

Contas bancárias infantis ensinam finanças, mas exigem atenção

Aproveitar o Dia das Crianças para introduzir os filhos ao universo bancário tornou-se uma alternativa comum entre os responsáveis. Diversas instituições financeiras disponibilizam produtos voltados para menores de idade, equipados com ferramentas como Pix, cartões de débito, mesadas programadas e opções de investimento, embora as regras de utilização mudem conforme o banco escolhido.

Como funcionam as contas para menores Normalmente, a abertura ocorre diretamente pelo aplicativo do banco, realizada pelo pai ou pela mãe, mantendo a conta vinculada ao responsável. Em grande parte das instituições, não são cobradas tarifas de abertura ou manutenção, e os pais conseguem monitorar saldos, extratos e movimentações por meio de notificações, além de estabelecer limites. O acesso a cheque especial ou cartão de crédito costuma ser evitado, restringindo os gastos ao montante disponível em conta.

O que cada banco oferece aos jovens Banco do Brasil – BB Cash: Disponível para o público de 0 a 17 anos, permite Pix, saques, compras no débito, carteiras digitais e recebimento de valores. Conta com controle parental de extratos e avisos, além de investimentos em poupança, cofrinhos, fundos, previdência e ações. Bradesco – nextJoy: Voltado para menores de 0 a 17 anos, oferece Pix, pagamento de boletos, transferências, saques, recargas e cartões-presente. O diferencial inclui temas da Disney e trilhas de educação financeira, sem opções de investimentos no momento. C6 Bank – C6 Yellow: Destinado a crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, traz Pix, saques na rede Banco24Horas e débito. Os pais controlam limites diários e recebem notificações. Há opção de investimento em CDB com liquidez diária. Itaú – Conta Filhos: Atende clientes Itaú Personnalité de 8 a 17 anos. Oferece Pix, transferências, saques e cofrinhos com rendimento de 100% do CDI. A conta é gratuita e migra para o segmento Personnalité aos 18 anos. Santander – Conta para Menores: Indicada para a faixa de 0 a 17 anos, disponibiliza Pix, pagamentos por aproximação e carteiras digitais. A partir dos 8 anos, oferece cartão de crédito adicional e cursos educacionais para jovens de 16 e 17 anos. XP – Conta Menor: Voltada para menores de idade, permite Pix, pagamentos e débito digital, com acesso a investimentos em renda fixa e ações na B3. BTG Pactual – Conta Jovem: Para crianças e adolescentes a partir de 8 anos, traz recursos como Pix por áudio ou texto, divisão de contas pelo WhatsApp e investimentos em CDB. Inter – Conta Kids e Conta Inter You: Dividida entre 0 a 12 anos e 13 a 17 anos, oferece Pix, transferências, pagamentos, saques e débito. A versão para adolescentes inclui cashback e cartão virtual. Nubank – Conta para menores: Atende jovens de 6 a 17 anos com envio e recebimento de Pix, recargas e Caixinhas com rendimento de 100% do CDI. Adolescentes de 16 e 17 anos podem ter cartão de crédito com limite garantido.

O papel da ferramenta na educação financeira Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira, diz que é preciso não confundir a ferramenta com a educação financeira em si. Segundo ele, os recursos da conta podem apoiar o aprendizado ao permitir que a criança vivencie situações de escolha, planejamento, consumo e organização do dinheiro.

“Se os pais simplesmente colocam dinheiro na conta e deixam a criança gastar, estamos diante de uma experiência de consumo”, afirma.

Idade adequada e controle parental Para Domingos, não há idade universal para abrir uma conta. A decisão depende da maturidade da criança e da capacidade de compreender o dinheiro e as consequências das próprias escolhas. A educação financeira, porém, pode começar por volta dos três anos, quando o pequeno passa a perceber o uso do dinheiro pelos adultos e manifesta desejos de consumo.

O planejador financeiro Diego Endrigo, CFP pela Planejar, diz que a demanda por orientação sobre dinheiro costuma surgir por volta dos nove ou dez anos, quando as crianças passam a ter acesso a cartões adicionais ou contas pré-pagas, como as usadas na cantina da escola.

A participação dos pais é fundamental, sobretudo no início, diz Domingos. Acompanhar os gastos, conversar sobre escolhas e estabelecer combinados ajuda a criança a entender como usar o dinheiro. O controle excessivo, porém, pode impedir o desenvolvimento da autonomia.

Se a criança gasta toda a mesada e fica sem dinheiro para outro desejo, a experiência pode servir de aprendizado. Cabe aos pais ajudá-la a entender o que aconteceu, em vez de simplesmente impedir o gasto, afirma o especialista.

Endrigo diz que o dinheiro também pode ser apresentado como resultado do tempo dedicado ao trabalho, ou seja, cada compra consome uma parte dos recursos acumulados com esse esforço.

Estratégias de mesada e investimentos Endrigo diz que prefere a mesada fixa, que dá previsibilidade à criança e ensina a importância de guardar parte do dinheiro para o mês seguinte. Outra opção, segundo ele, é combinar um valor fixo com uma parcela variável, vinculada a tarefas em casa ou na escola.

Um caminho é dividir os investimentos da criança em três objetivos: reserva de emergência, construção de patrimônio e planejamento de longo prazo, segundo o especialista. Para a reserva de emergência, ele indica o Tesouro Selic, título público com liquidez diária. Para objetivos de médio prazo, sugere o Tesouro Prefixado, que permite fixar uma taxa de juros até o vencimento, mas pode sofrer oscilações de preço se vendido antecipadamente. Já para o longo prazo, como a aposentadoria, recomenda o Tesouro IPCA+, que rende a inflação do período mais uma taxa prefixada.

Domingos afirma que o exemplo dos pais é fundamental para a educação financeira. Não adianta falar sobre planejamento e consumo consciente se a criança observa em casa gastos sem limites. Endrigo alerta ainda que pais que tratam o dinheiro apenas como algo a ser guardado, sem ensinar como usá-lo, podem transmitir aos filhos uma relação excessivamente restritiva com os gastos. A família deve ensinar a usar o dinheiro de forma consciente, equilibrando a preservação do patrimônio com a realização de desejos e planos.

Fonte: Folha - Mercado