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Caderno Mercado

Como perder 30% em renda fixa mesmo com o governo pagando em dia

Como perder 30% em renda fixa mesmo com o governo pagando em dia

Emprestar dinheiro para o governo brasileiro e ver o investimento encolher de R$ 100 mil para R$ 70 mil sem que haja qualquer inadimplência parece impossível. No entanto, essa perda expressiva pode acontecer na renda fixa devido a um fator frequentemente ignorado pelos aplicadores: a oscilação dos preços dos papéis antes da data final de resgate.

O papel da marcação a mercado A marcação a mercado é o conceito fundamental que explica como um título pode registrar desvalorizações de 30% ou saltos superiores a 40%. Ao adquirir um ativo prefixado, o investidor contrata uma remuneração específica para o futuro, mas isso não significa que o valor do papel permanecerá estático ao longo do tempo.

As cotações flutuam conforme as exigências de rentabilidade do mercado financeiro. Quando as taxas de juros sobem bruscamente após a compra, o preço do título existente precisa cair para se tornar competitivo diante das novas opções disponíveis, gerando a queda de 30% no valor contábil. Por outro lado, se os juros recuam, o movimento se inverte e o preço do ativo sobe.

O impacto do prazo e a duration O tamanho da oscilação está diretamente ligado ao tempo que falta para o recebimento do dinheiro, conceito avaliado pela duration. Quanto mais distante for o vencimento, maior será a sensibilidade do preço às mudanças nas taxas.

Um título com prazo curto sofre variações modestas, enquanto outro com vencimento longo despenca drasticamente frente ao mesmo aumento de juros.

Resgate antecipado versus carregar até o vencimento Manter a aplicação até a data combinada garante o recebimento do valor nominal contratado, desde que o emissor honre o compromisso, blindando o investidor das flutuações diárias. Contudo, a necessidade de resgatar o recurso antes do prazo transforma a desvalorização temporária em prejuízo definitivo.

Além disso, a volatilidade afeta diretamente a estratégia de gestores de fundos, cujos resultados podem superar o CDI ou apresentar perdas expressivas dependendo da sensibilidade da carteira aos juros.

Alinhamento entre prazo e objetivos A principal estratégia para lidar com esse cenário não é tentar prever os rumos da economia, mas sim alinhar os prazos dos investimentos às metas pessoais. Separar a reserva de liquidez dos recursos de longo prazo evita que o investidor seja obrigado a vender ativos em momentos desfavoráveis.

No fim das contas, a segurança contra calotes não elimina a volatilidade. Quem não compreende o funcionamento da renda fixa descobre da maneira mais difícil que segurança de pagamento não é sinônimo de preço estável.

Fonte: Folha - Mercado