Donald Trump usa cristianismo conservador para impulsionar republicanos nas midterms
O governo de Donald Trump intensificou a aproximação com símbolos, práticas e organizações religiosas desde o início de seu mandato, transformando o cristianismo conservador no principal eixo de sua estratégia política. A investida ocorre em um momento decisivo para o país, servindo como peça central na campanha para as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, que renovam parte do Congresso norte-americano.
A estratégia nas urnas Para tentar manter o controle do Congresso e contrariar as pesquisas que apontam vitória democrata, o Partido Republicano aposta no apoio sólido do eleitorado cristão. Levantamentos indicam que os cristãos evangélicos brancos formam a base mais fiel de apoio ao presidente, enquanto outros grupos religiosos e demográficos registram taxas maiores de desaprovação ao governo.
O projeto de nação cristã na Casa Branca Desde que retornou à Presidência, a administração federal tem investido em iniciativas para incorporar preceitos religiosos na gestão pública. Segundo o antropólogo Rodrigo Toniol, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o objetivo é “trazer a religião de volta ao nosso país”. Entre as ações implementadas estão a criação de um escritório voltado para assuntos religiosos na Ala Oeste, a realização de cultos mensais no Pentágono e o incentivo a transmissões diárias de orações na internet.
O papel dos líderes do governo Dois nomes de destaque lideram essa movimentação internamente: o vice-presidente JD Vance e o secretário de Guerra, Pete Hegseth. Enquanto Hegseth comanda encontros religiosos e reduziu drasticamente o número de crenças oficialmente reconhecidas pelo Departamento de Guerra, Vance atua na articulação com influenciadores externos para promover um estilo de vida alinhado a um cristianismo tradicional e antimoderno.
“A religião sempre esteve presente na política norte-americana. Mas Trump quer um cristianismo muito específico, um tipo de cristianismo antimoderno”, explicou Rodrigo Toniol, destacando que a narrativa busca unir a nação em torno de um projeto nacionalista cristão liderado pelo próprio presidente.
Impacto na oposição e debate político A centralidade do tema religioso também mobilizou a oposição democrata. No Texas, o candidato ao Senado James Talarico, que é ex-seminarista presbiteriano, tem utilizado preceitos religiosos para contra-argumentar as pautas governistas.
“O presidente dos Estados Unidos diz que eu insulto Jesus. Sabe o que é um insulto para Jesus? Cortar o seguro de saúde de pessoas doentes enquanto se baixa os impostos para bilionários. Deportar um estrangeiro e separar bebês de suas mães. Bombardear crianças inocentes no Irã e enviar nossos homens e mulheres para morrer em outra guerra sem fim”, declarou Talarico.
Enquanto isso, eleitores conservadores demonstram apoio às medidas motivados pela sensação de perda de valores tradicionais, consolidando a polarização religiosa e política que marca o pleito norte-americano.
Fonte: Mundo