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Eleições em Israel terminam sem maioria e deixam governo em impasse

Eleições em Israel terminam sem maioria e deixam governo em impasse

As eleições parlamentares de Israel foram encerradas nesta terça-feira (27) revelando um cenário de impasse político no país. De acordo com pesquisas de boca de urna divulgadas pelas principais redes de televisão locais, o pleito registrou tanto o avanço de legendas que representam a população árabe quanto a ausência de maioria para os blocos principais.

Cenário no parlamento israelense

Para formar um governo em Israel, são necessários pelo menos 61 assentos no Knesset, que possui um total de 120 cadeiras. No entanto, nem a coalizão governista do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem a oposição liderada por Gadi Eisenkot atingiram essa marca. O bloco opositor deve conquistar entre 52 e 53 vagas, enquanto o grupo de Netanyahu aparece com 50.

Nesse contexto, duas legendas árabes despacham com a perspectiva de obter de 17 a 18 assentos, o que pode transformá-las em peças-chave nas articulações para a construção da próxima administração estatal. O partido Ra’am (Lista Árabe Unida), de orientação islâmica moderada e liderado por Mansur Abbas, deve conquistar sete cadeiras. A Lista Unificada, de extrema esquerda, aparece com previsão de dez ou 11 assentos. Até o momento, todavia, nenhuma das principais lideranças sinalizou disposição para alianças com esses grupos.

Disputa acirrada e histórico recente

A disputa colocou frente a frente Netanyahu, de 77 anos, e Eisenkot, de 66 anos. O Likud, partido do primeiro-ministro, aparecia nas previsões anteriores com 20 a 30 cadeiras, em empate técnico com o Yashar, de seu principal adversário. Caso o impasse persista após a contagem final, o país pode enfrentar longas negociações ou até mesmo a convocação de novos pleitos, cenário semelhante ao ocorrido em anos anteriores, quando foram necessárias cinco votações até a formação de maioria no fim de 2022.

Participação recorde após conflitos

A votação marcou o primeiro pleito geral no país desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Impulsionada pelo clima de tensão regional e pelos conflitos na Faixa de Gaza, no Líbano e frente ao Irã, a participação popular bateu recorde: 44,9% dos eleitores já haviam comparecido às urnas durante a tarde, atingindo o maior índice desde 1973.

Campanha focada em segurança

Enquanto Netanyahu baseou sua campanha na segurança, ressaltando sua preparação para o cargo e sua proximidade com o presidente norte-americano Donald Trump, seu opositor apostou na trajetória militar. Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, ganhou projeção ao criticar a atual gestão após deixar o gabinete de guerra e propor investigações sobre as falhas que antecederam os ataques de outubro, proposta rejeitada pela atual administração. Apesar das divergências internas, ambos compartilham posturas parecidas sobre a segurança regional, com oposição à criação de um Estado palestino e apoio aos assentamentos israelenses.

Fonte: Mundo