Democratas criticam visto dos EUA para Flávio Bolsonaro
O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, controlado pelos democratas, manifestou forte oposição à decisão do governo americano de liberar vistos de entrada para o senador Flávio Bolsonaro (PL) e seus familiares.
Em publicações nas redes sociais, o colegiado traçou paralelos críticos entre o tratamento direcionado ao político brasileiro e a rigidez da política migratória aplicada a refugiados de nações em conflito.
“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti, mas Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro. Aparentemente, fugir da violência não se qualifica. Negar os resultados eleitorais, sim”, afirmou o comitê.
Contexto da viagem e decisão do STF A polêmica ganhou força após o Departamento de Estado confirmar, na terça-feira (27), que a autorização seria concedida, embora sem detalhar se a emissão física já havia ocorrido. A movimentação aconteceu logo após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenar que o parlamentar entregue seus passaportes.
Reportagens da imprensa internacional apontaram que o senador e seus familiares deixaram o território brasileiro rumo a território norte-americano na mesma semana. O presidente Donald Trump declarou publicamente seu aval à chegada do aliado na quarta-feira (28), classificando os integrantes do clã como boas pessoas e voltando a contestar o pleito presidencial brasileiro vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Ela tem recebido avaliações ruins. Veja o que aconteceu com o mercado deles”, afirmou Trump.
Repercussão entre parlamentares norte-americanos A reação negativa também partiu de nomes individuais da legenda oposicionista. O candidato Isaiah Martin utilizou uma plataforma digital para repudiar a acolhida ao político do PL e questionar o impacto financeiro para os cidadãos norte-americanos.
“Agora, o contribuinte americano vai arcar com os custos para proteger sua família criminosa e suas viagens de luxo pelo nosso país”, afirmou.
Na mesma linha, o deputado Joaquin Castro levantou dúvidas sobre o enquadramento do caso nas regras tradicionais de refúgio político e cobrou explicações formais da atual gestão da Casa Branca.
“Perder uma eleição não é motivo para pedir asilo”, escreveu Castro, acrescentando que o senador enfrenta investigações judiciais no Brasil por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.
“O governo Trump deve explicações ao Congresso sobre seu papel em ajudar Bolsonaro a fugir do Brasil em desacordo com a legislação brasileira”.
Cenário político de meio de mandato O acirramento das discussões ocorre a poucos dias das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, agendadas para o dia 3 de novembro. O pleito definirá a nova configuração da Câmara e de parte do Senado, servindo como um teste crucial de força para o restante do mandato presidencial republicano.
Fonte: Mundo