Santiago Peña renuncia à presidência do Paraguai após colapso de banco digital
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise bancária do país. O economista conservador, que assumiu o governo em 2023 com mandato até 2028, ficou totalmente isolado após perder o apoio da oposição e da própria base governista.
A crise bancária e o fechamento do Ueno Peña era alvo de um processo de impeachment após a quebra do banco digital Ueno, que bloqueou a conta de milhares de correntistas. O presidente foi acionista do grupo que controla a instituição até março do ano passado, e a oposição acusa o Banco Central paraguaio de encobrir irregularidades.
Em um vídeo divulgado para anunciar sua saída, o político se desculpou com os cidadãos afetados pela falta de acesso aos seus recursos financeiros.
Em um vídeo, o presidente se desculpou com a população que perdeu o acesso ao próprio dinheiro e disse que decidiu renunciar “pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”.
“Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, disse.
Perda de sustentação política Nesta manhã, o Congresso do Paraguai havia inciado uma sessão extraordinária para debater o pedido de impeachment, e todas as bancadas da Câmara dos Deputados anunciaram que votariam a favor do impeachment.
O avanço do processo ocorreu após Horacio Cartes, atual presidente do Partido Colorado e mentor de Peña, retirar o apoio ao governo, movimento seguido pelo presidente do Congresso, Basilio Nuñez. A acusação formal foi assinada por 35 deputados, que apontaram conflito de interesses e desvio de recursos.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada de oposição Rocío Vallejo durante a sessão, pouco antes da apresentação do pedido.
Desdobramentos e investigação O Ueno, que pertencia ao Grupo Vázquez, concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos e fechou as portas após o banco central identificar insuficiência de recursos para cobrir obrigações da instituição.
Antes de deixar o cargo, Peña promulgou uma lei para acelerar a devolução de valores aos clientes e comentou sobre a situação dos responsáveis.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou.
Executivos do banco já se entregaram após mandados de prisão expedidos pela Procuradoria, que formalizou acusações contra 27 pessoas ligadas à instituição financeira. Enquanto isso, o vice-presidente Pedro Alliana assume o poder no Paraguai após o Congresso rejeitar o seu próprio impeachment.
Fonte: Mundo