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Caderno Mercado

C&A testa escala 5X2 em 62 lojas e busca compensar aumento de custos

C&A testa escala 5X2 em 62 lojas e busca compensar aumento de custos

A C&A já testa a escala de trabalho 5×2 em 62 lojas e avalia mudanças na organização das equipes e no planejamento das atividades para reduzir o possível impacto da transição do modelo 6X1 sobre as despesas. Segundo o presidente da companhia, Paulo Correa Junior, a experiência mostrou que os custos aumentam quando a operação é mantida sem adaptações.
C&A prevê começar 2027 com investimentos menores e maior geração de caixa

“Se você fizer exatamente a mesma coisa que faz hoje, o custo aumenta”, afirmou o executivo, em teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre realizada nesta quinta-feira (5). Para compensar esse efeito, a varejista está aprimorando o planejamento de tarefas e jornadas nas lojas, com o apoio de uma ferramenta que utiliza algoritmos para organizar as atividades do dia a dia.

A companhia também pretende ampliar o uso de diferentes formatos de contratação, como o trabalho intermitente, para fazer frente aos períodos de maior movimento. Correa citou os domingos como um dos pontos de atenção, diante do aumento do fluxo de consumidores nos shopping centers e da necessidade de manter equipes suficientes nesses dias.

“Uma forma de contrapor esse impacto é exatamente planejar com mais detalhe”, disse. A empresa também busca oportunidades de redução de despesas em outras áreas, por meio da simplificação de processos e do uso de tecnologia. Segundo o presidente, a revisão dos custos é um trabalho contínuo. “A despesa é igual unha, tem que estar sempre cortando.”

Na mesma teleconferência, a C&A afirmou que as conversas com os shopping centers sobre os efeitos da reforma tributária nos contratos de aluguel estão avançando, mas ainda há incertezas regulatórias e operacionais sobre a transição para o novo sistema de impostos, prevista para começar em 2027.

“As conversas estão indo muito bem”, afirmou Correa. Segundo ele, a relação da varejista com os empreendedores dos shopping centers é antiga, o que favorece a negociação. O executivo ponderou, porém, que ainda faltam definições sobre notas técnicas, orientações operacionais e documentação dos órgãos reguladores.

“Existem ainda dúvidas regulatórias, dúvidas operacionais que podem gerar também uma certa insegurança de tomada de decisão”, disse. A expectativa da companhia é chegar a uma solução consensual com os parceiros comerciais quando houver maior clareza sobre as regras.

O presidente afirmou que a indefinição não é um problema exclusivo da C&A, mas parte do processo de transição da reforma tributária. A empresa não detalhou eventuais impactos financeiros nos contratos de locação nem informou se as negociações já resultaram em mudanças nas condições comerciais.
Fachada de loja da varejista de moda C&A
Divulgação

Fonte: Economia - Valor