Brasileiros no exterior criam redes de apoio para votar no 2º turno
A alta abstenção registrada entre os votantes que vivem fora do Brasil no primeiro pleito presidencial motivou a criação de redes de solidariedade. Com uma taxa de ausência de 62,7%, a maior desde 2010 segundo dados oficiais, eleitores espalhados por diferentes nações decidiram se organizar para viabilizar o deslocamento até os locais de votação marcados para o dia 25 de outubro.
Crescimento do eleitorado e desafios logísticos O número de cadastrados fora do país atingiu a marca de 916,5 mil pessoas, representando um avanço de 31,8% em comparação a 2022. No entanto, menos de 341,8 mil compareceram às seções distribuídas em 134 nações.
“A infraestrutura para essa votação não acompanhou o crescimento muito inesperado do número total de pessoas cadastradas para votar. Por isso, não houve tantos votos. No território nacional a estrutura de urnas eletrônicas é muito mais capilarizada”, avalia o professor de Geografia Política da Universidade de Brasília (UnB), Daniel Abreu.
Despesas elevadas e novas plataformas de ajuda A distância até os centros de votação e os altos gastos com transporte e pernoite representam os principais obstáculos relatados pelos cidadãos. Para contornar essa situação, ferramentas digitais e grupos de mensagens surgiram para conectar quem precisa de suporte com quem dispõe de vagas em veículos ou residências.
Iniciativas como o “Voto Sem Fronteiras” e o site “Voto Lá Fora” funcionam como murais e formulários de conexão. Os organizadores destacam que o foco é puramente logístico, sem qualquer cruzamento de dados sobre preferência partidária.
Legislação e segurança jurídica Especialistas em Direito Eleitoral apontam que as ações voluntárias respeitam as normativas vigentes, desde que não estejam atreladas a tentativas de influenciar a escolha do candidato. A resolução do Tribunal Superior Eleitoral proíbe candidatos e partidos de fornecerem transporte gratuito, mas práticas solidárias entre cidadãos sem fins eleitoreiros são permitidas pela jurisprudência.
Perspectivas para o segundo turno Especialistas acreditam que a polarização da disputa e a atuação dessas redes podem reduzir o índice de ausência. O peso potencial desses sufrágios é comparado ao eleitorado de estados inteiros, o que torna cada participação valiosa para o resultado final da eleição.
Fonte: Mundo