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Caderno Mercado

Futebol atual vive fase de conciliação entre o prazer e o dever

Futebol atual vive fase de conciliação entre o prazer e o dever

O futebol passou por uma profunda metamorfose nas últimas décadas, deixando para trás o estilo burocrático e defensivo que marcou o final do século passado. A modalidade vive atualmente um momento de conciliação entre o prazer e o dever, unindo a criatividade individual à rigorosa disciplina tática exigida pelo esporte contemporâneo.

A evolução histórica do jogo

Repito, o futebol teve um período de grande encantamento nos anos 60 e 70, quando predominavam a inventividade, a fantasia, a ofensividade, habilidade e os devaneios individualistas.

Contudo, a partir dos anos 80, com a evolução científica, houve, progressivamente, uma grande valorização da estratégia, do planejamento, da disciplina tática e do jogo coletivo. O esporte tornou-se mais previsível, travado e com fewer gols, priorizando o contra-ataque e a cautela defensiva.

O espetáculo na Europa

Nos últimos anos, o cenário mudou drasticamente no Velho Continente. As principais equipes europeias adotaram posturas mais corajosas, pressionando a saída de bola adversária e assumindo riscos defensivos em troca de maior intensidade e ofensividade.

Exemplo disso foram os recentes confrontos da Liga dos Campeões, que registraram médias superiores a quatro gols por partida. O duelo entre Paris Saint-Germain e Barcelona, vencido pelos franceses por 4 a 2, escancarou essa nova realidade, marcada pela versatilidade de meio-campistas que participam tanto da marcação quanto da construção ofensiva e finalização. O mesmo dinamismo foi visto no empate por 2 a 2 entre Bayern de Munique e Arsenal.

O contraste com o futebol sul-americano

Enquanto o Velho Continente exibe alta intensidade, as decisões da Copa Libertadores revelam um panorama distinto. Confrontos recentes, como os duelos entre Palmeiras e Fluminense e entre Flamengo e Estudiantes, foram marcados por estratégias mais conservadoras e decisões nas penalidades máximas.

Ainda assim, momentos de ousadia conseguem emergir mesmo em contextos de extrema cautela. Na parada técnica do segundo tempo do segundo duelo com o Palmeiras, quando o jogo estava 0 a 0, o modesto e interino técnico Marcão disse aos jogadores para esquecer a estratégia e tentar com intensidade o gol. Ele não quis desprezar a tática. Apenas enfatizou que era o momento de transbordamento da alma para vencer o jogo. A equipe carioca venceu aquela partida por 1 a 0, exemplificando que a emoção e a entrega ainda encontram espaço no esporte.

Reflexão final

O futebol e o mundo incendiário em que vivemos atualmente passam por transformações que podem ser passageiras ou duradouras, permanentes, mesmo que não sejam eternas. É preciso separar as duas situações. Não é fácil. Elas se misturam. O mundo está confuso.

Fonte: Folha Esportes