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Caderno Mercado

Por que a conta de luz no Brasil é tão cara apesar de energia limpa

Por que a conta de luz no Brasil é tão cara apesar de energia limpa

Uma pesquisa recente mapeou os fatores que colocam a tarifa de eletricidade brasileira em patamares superiores aos de nações com matrizes renováveis equivalentes, como Canadá, Noruega e China.

Impacto no orçamento condominial Na Zona Norte do Rio de Janeiro, um complexo residencial moderno com mais de quatrocentos apartamentos enfrenta faturas mensais de até R$ 40 mil, comprometendo a saúde financeira do local.

“Ela vai refletir aí entre 20% até 40% do custo total do boleto. Isso nos impede de fazer novos investimentos”, afirma o síndico profissional Jorge Lima.

O peso dos encargos e tributos Entre os itens que compõem a inflação, a eletricidade ocupa a terceira posição, atrás apenas de combustíveis e planos de saúde. O levantamento elaborado pelo economista Daniel Duque, da Fundação Getúlio Vargas, a pedido do Centro de Liderança Pública, aponta que mais de 65% da cobrança final não decorrem da geração de eletricidade em si.

Para se ter uma ideia, a geração representava apenas 30,4% da fatura em 2025. O restante divide-se entre distribuição (26%), tributos (18%), encargos setoriais para programas sociais e subsídios agrícolas (15%), além de transmissão (10%). O quadro ainda é agravado por obrigações legais de compra de energia de termelétricas e pequenas hidrelétricas, somadas ao mecanismo de bandeiras tarifárias.

Dificuldades para a indústria nacional O setor produtivo também sofre os impactos dessas tarifas elevadas, perdendo competitividade no mercado internacional devido aos custos operacionais em cadeias que exigem refrigeração constante e uso contínuo de eletricidade.

“O cenário ideal seria uma política pública que trouxesse essa energia que a gente produz com bastante eficiência, uma energia limpa, barata. Teria como consequência produtos mais baratos na mesa do consumidor, mais emprego, mais investimento, mais trabalho e renda, e, consequentemente, um crescimento maior do nosso país”, afirma Cacio de Moura Rodrigues, gerente de Meio Ambiente da Frescatto.

Caminhos para a eficiência Diante do cenário desafiador, empresas buscam alternativas como a instalação de usinas solares próprias, substituição por maquinário eficiente e uso de inteligência artificial para otimizar o consumo, alcançando cortes de até 30% nos gastos.

Contudo, especialistas apontam que reformas estruturais e maior alinhamento entre as esferas governamentais são essenciais para corrigir distorções sistêmicas.

“A gente também precisaria de uma maior coordenação, por exemplo, entre governo federal, estadual e municipais para, por exemplo, reduzir as perdas de transmissão e distribuição, que também são mais altas no Brasil do que em outros lugares do mundo”, afirma Daniel Duque, economista da FGV Ibre.

Fonte: G1 Economia