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Caderno Mercado

FMI aponta desaceleração da economia brasileira e projeta alta de 1,9% para 2027

FMI aponta desaceleração da economia brasileira e projeta alta de 1,9% para 2027

O Fundo Monetário Internacional calcula que o ritmo da economia brasileira vai perder ímpeto, registrando um avanço menor nos próximos anos em comparação com o período anterior. O panorama faz parte do documento Perspectiva Econômica Mundial, divulgado pela instituição sediada em Washington para traçar cenários globais.

Projeções reduzidas para o PIB nacional

As estimativas atualizadas apontam um avanço de 2,2% para 2026 e de 1,9% para 2027, o que representa cortes de 0,2% e 0,3% respectivamente em relação aos dados publicados em julho. A entidade atribui essa freada a “condições monetárias ainda restritivas — voltadas para o retorno da inflação à meta —, a retirada de estímulos da política fiscal e a incerteza global”.

Historicamente, o indicador apresentou altas de 3,4% em 2024 e de 2,3% em 2025. No entanto, o IBGE demonstrou que o ritmo diminuiu no segundo trimestre de 2026, com expansão de 0,5%, ficando abaixo dos 1,1% observados nos três meses antecedentes. Paralelamente, o Banco Central conduz cortes na taxa básica de juros, que recuou de 15% para 13,75%. Em sua última ata, o Copom reiterou que o custo do crédito elevado desacelera o país, mas que o afrouxamento ocorrerá de forma gradual para conter pressões inflacionárias.

Inflação, desemprego e comparação com o mercado

Apesar do cenário de menor dinamismo, o Fundo projeta arrefecimento na alta de preços, indo de 5% no ano passado para 4,4% neste ano e 4,1% em 2027. Em contrapartida, o índice de desocupação deve avançar de 6% em 2025 para 6,2% no presente exercício e alcançar 6,8% no próximo biênio.

Curiosamente, as perspectivas da organização internacional mantêm-se mais otimistas do que as avaliações dos agentes financeiros locais. O Boletim Focus mais recente indica expectativas de expansão em 1,85% para este ano e 1,4% em 2027, enquanto a inflação prevista pelo mercado é de 5,01% e 4,3% para os mesmos períodos. Na média regional, a América Latina deve crescer 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027, superando levemente o ritmo brasileiro.

Economia mundial e cenário interno para 2027

Em âmbito internacional, a atividade tende a avançar em patamares superiores aos do Brasil, registrando 3,4% agora e 3,6% em 2027. O relatório classifica a conjuntura planetária como “resiliente sob pressão”, lidando com inflação média de 4,7%, conflitos geopolíticos e questões fiscais.

“Por outro lado, um impulso mais forte nos investimentos em IA e ganhos de produtividade decorrentes da IA, ou um alívio sustentado das tensões geopolíticas e comerciais, poderiam fortalecer o crescimento”, afirma o FMI.

A entidade também pondera que, “no entanto, a inflação está em alta, a disparidade entre as economias que se beneficiam do ciclo de expansão tecnológica ou de termos de troca favoráveis ​​e aquelas que enfrentam custos de importação mais elevados e demanda mais fraca está aumentando”, diz o FMI.

Especialistas locais corroboram a tendência de desaquecimento para o próximo ciclo, impulsionada pelo fim de incentivos governamentais e pela rigidez monetária que afeta o setor varejista. Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, aponta que o quadro pode ser ainda mais desafiador.

“Ano que vem provavelmente também tem PIB negativo do agro, por causa do efeito do El Niño”, diz Serrano.

Complementando a análise, Alex Agostini, economista-chefe da agência Austin Rating, avalia que o reequilíbrio das contas públicas será incontornável para a próxima gestão presidencial, gerando impactos contracionistas na atividade produtiva do país.

Fonte: G1 Economia