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Caderno Mercado

Crédito de longo prazo é negado para 37,2% das indústrias no país

Crédito de longo prazo é negado para 37,2% das indústrias no país

O acesso ao financiamento de longo prazo tornou-se mais restrito para o setor produtivo nacional, com a parcela de empresas que tentaram obter ou renovar recursos e não obtiveram sucesso saltando de 33% em 2025 para 37,2% em 2026, considerando apenas o universo de companhias que buscaram o crédito.

Os principais entraves para o financiamento

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (9) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em um levantamento realizado entre os meses de fevereiro e julho. O estudo ouviu 1.701 empresas de pequeno, médio e grande porte no período de 3 a 12 de agosto.

As taxas elevadas figuram como o maior obstáculo para a obtenção de recursos, sendo apontadas por 68,9% das organizações que enfrentaram barreiras no crédito de longo prazo e por 76% daquelas que buscaram prazos menores.

Exigências de garantias e impacto por porte

Outro fator que dificulta as negociações é a exigência de garantias reais, a exemplo de imóveis. Esse entrave foi mencionado por 31,5% das empresas com dificuldades em operações de longo prazo e por 33,4% daquelas que tentaram crédito de curto ou médio prazo.

O impacto é desigual entre os portes corporativos. Entre as organizações que procuraram financiamento de longo prazo, 48,2% das pequenas e 48,1% das médias não conseguiram os recursos, enquanto o índice nas grandes empresas ficou em 29,9%. No panorama geral, 54% das indústrias nem sequer tentaram obter crédito de longo prazo entre fevereiro e julho, e 49,9% evitaram o de curto ou médio prazo. Considerando o total de ouvidos, 9,2% tentaram e falharam no longo prazo, contra 7,5% no curto e médio.

Uso de recursos para o dia a dia

Surpreendentemente, uma fatia significativa dos financiamentos de longo prazo tem sido direcionada para despesas correntes. O capital de giro representou a finalidade principal para 28,7% das companhias que buscaram ou renovaram essa modalidade, superando os investimentos em máquinas e equipamentos (23,6%) e em construção e instalações (11,6%).

“O capital de giro, em geral, é utilizado para bancar folha de pagamento, compra de materiais, insumos, entre outras despesas do dia a dia das empresas, e já é esperado que elas busquem crédito de curto prazo para essa finalidade. Porém, chama a atenção quando elas procuram crédito de longo prazo para esse fim, porque o crédito de maior maturação costuma servir para financiar investimentos em máquinas, equipamentos e edificações, por exemplo”, afirma Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.

Fonte: G1 Economia