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Caderno Mercado

Ex-professora muda de carreira e hoje ganha o dobro no setor de games

Ex-professora muda de carreira e hoje ganha o dobro no setor de games

A trajetória de Jarvs Tasker mudou radicalmente aos 28 anos, quando ela foi obrigada a deixar a sala de aula devido a uma condição médica crônica, sete anos atrás. Hoje, ela lidera a Jarvs Indie Insights, agência voltada para marketing e comunicação no universo dos videogames, onde fatura o dobro do que recebia no antigo emprego.

A transição da sala de aula para o mercado de games

Durante uma visita recente às instalações de e-sports da Universidade de Suffolk, em Ipswich, Tasker relembrou sua jornada inicial no setor, que começou com trabalho voluntário para o canal do PlayStation no YouTube. Para ela, a experiência anterior com alunos possui forte ligação com sua atividade atual.

“Administrar uma comunidade é muito parecido com gerenciar uma classe de crianças”, ela conta. “Por isso, existem muitas habilidades coincidentes.”

A executiva aponta que a indústria atrai profissionais em diferentes fases da vida e reforça que o setor exige dedicação real. “A comunidade de videogames é muito forte e irá recompensar as pessoas que amam o que fazem”, segundo ela, “mas eles também irão perceber se você estiver ali apenas pelo dinheiro”.

“A paixão é o mais importante”, afirma Tasker.

Resistência à inteligência artificial na criação de jogos

O mercado atual também lida com o avanço tecnológico. Questionada sobre o tema, Tasker avalia que o segmento realiza “um trabalho muito bom” ao recusar a inteligência artificial, impulsionado pela forte oposição dos consumidores.

“Acho que é um setor que deve realmente nos orgulhar por ainda estarmos valorizando a criatividade humana e porque o público também apoia nossa decisão”, defende Tasker.

Mark Backler, representante da organização Game Anglia, reforça que o cenário britânico de games independentes vive um momento favorável. Segundo ele, apesar da alta competitividade, “nunca foi tão viável desenvolver e publicar seus próprios jogos independentes”.

“É como ser um criador de conteúdo”, explica ele. “É difícil ficar entre os que se destacam, mas é possível.”

Crescimento regional e inclusão feminina

O desenvolvedor Sam Read-Graves, da empresa Read Graves, destaca que o mercado regional expandiu de forma expressiva na última década, impulsionado por redes de apoio locais. Embora os estúdios gigantescos ainda estejam concentrados em outros locais, o desenvolvedor acredita no potencial financeiro dos títulos independentes produzidos no leste da Inglaterra.

No mesmo sentido, Abbygale Dunn, fundadora da Astral Forge aos 22 anos, aponta que o ambiente tem se tornado mais receptivo. “Obviamente, é assustador. Quando eu era estudante, havia apenas cerca de três mulheres na minha sala”, ela conta. “Todos são muito gentis. Realmente, não é tão ruim quanto parece, especialmente hoje em dia.”

Por fim, Omar Khalil, analista da Entity, aponta que o principal obstáculo para os criadores não é a qualidade técnica, mas sim a visibilidade. “Existem tantos games por aí e não é que não haja bons jogos”, pondera. A grande dificuldade, segundo ele, é “como você consegue visibilidade para eles?”

Fonte: G1 Economia