Fundo do Vale do Silício cria escola de elite sem diploma
Em um movimento que desafia abertamente as universidades tradicionais, a Andreessen Horowitz (a16z), uma das maiores gestoras de capital de risco dos Estados Unidos, estruturou uma instituição de ensino privada voltada a formar lideranças para o mercado de tecnologia. A proposta surge alinhada a um debate crescente entre grandes investidores americanos, que colocam em xeque a real necessidade da formação superior convencional para quem deseja empreender e inovar.
Foco prático e mentoria com grandes líderes
Batizada de Horowitz Andreessen Academy (HAA), a iniciativa conta com apoio direto de Marc Andreessen e Ben Horowitz, fundadores da gestora. O empreendimento já levantou US$ 42 milhões (cerca de R$ 214,9 milhões) em investimentos para viabilizar sua operação.
Diferente da grade curricular comum do ensino superior, o programa priorizará o desenvolvimento de soluções corporativas e projetos independentes. A metodologia busca inspiração tanto no sistema de tutoria da Universidade de Oxford quanto nos princípios do método Montessori, deixando em segundo plano a transmissão passiva de teoria.
Para aproximar os participantes do ambiente corporativo real, a grade prevê palestras e interações com executivos de peso, incluindo Jensen Huang (CEO da Nvidia), Satya Nadella (CEO da Microsoft) e Travis Kalanick (cofundador da Uber).
“Acreditamos que esta pode ser uma instituição de elite, capaz de atrair os melhores talentos e preparar os estudantes para o futuro, em vez de permanecer presa ao passado”, escreveu no X Gagan Biyani, CEO da instituição.
Sem certificado formal nem garantias de contratação
Apesar da proposta arrojada, o modelo da HAA não oferece credenciamento acadêmico oficial e não concederá diplomas aos seus formandos. Além disso, a academia não aceitará auxílios estudantis do governo federal dos Estados Unidos e não assegura vagas de estágio remunerado ou contratação garantida ao término do curso.
Esse rompimento com os padrões formais se ampara em casos emblemáticos da própria indústria tecnológica. Trajetórias de figuras que abandonaram os estudos antes da formatura — como Bill Gates (Microsoft), Steve Jobs (Apple) e Mark Zuckerberg (Facebook) — são frequentemente apontadas por líderes do setor para justificar que o diploma universitário não é requisito indispensável para criar empresas bem-sucedidas.
Cronograma de turmas e planos de expansão
O processo de seleção já está aberto para a turma inaugural, programada para iniciar suas atividades em setembro de 2027. Este primeiro ciclo terá capacidade para aproximadamente 50 alunos, com duração total de um ano e gratuidade integral.
Os planos da instituição incluem uma ampliação a partir de 2028. Caso receba o aval das entidades regulatórias, a organização pretende introduzir uma modalidade paga com dois anos de duração, cujas mensalidades devem atingir valores equivalentes aos cobrados pelas faculdades privadas mais renomadas dos Estados Unidos.
Fonte: G1 Economia