Pular para o conteúdo principal

Caderno Mercado

Cidade canadense enfrenta crise após tarifas de Donald Trump

Cidade canadense enfrenta crise após tarifas de Donald Trump

A economia da cidade de Témiscaming, em Quebec, enfrenta sua pior ameaça em décadas após a paralisação de sua principal fábrica de papel, que sustenta a região há mais de cem anos.

Impacto na economia local Construída ao redor de vastas florestas de pinheiros e bétulas, a cidade agora vê a maioria de seus 360 funcionários desempregados, dependendo de pagamentos parciais de programas governamentais de auxílio tarifário. A proprietária americana da planta, a RYAM, determinou uma interrupção por tempo indeterminado em outubro devido ao fracasso nas negociações comerciais e às altas taxas impostas pela gestão de Donald Trump. O valor dos imóveis despencou rapidamente, e há um temor generalizado de que serviços essenciais sejam abandonados. “Se a fábrica fechar, a cidade vai virar uma cidade fantasma”, diz Ronnie Raymond, morador local. “Não vai sobrar nada, absolutamente nada. Na verdade, não haverá trabalho para ninguém. É assustador.”

Repercussão nacional e críticas ao governo Enquanto a economia canadense em geral tem demonstrado resiliência, setores específicos como celulose, madeira e aço sofrem com taxas que chegam a 50%. Líderes sindicais e moradores criticam a falta de foco do governo federal em comparação com o socorro bilionário direcionado a grandes centros urbanos e indústrias automotivas em Ontário. O prefeito Alain Gauthier classifica as medidas americanas como um ataque direto à produção industrial e cobra uma postura mais dura de Ottawa. “Sentimos que entramos em uma guerra armados com pistolinhas de água de criança para revidar”, declara Gauthier. Em resposta às críticas, porta-vozes do governo apontam a disponibilização de fundos de apoio para áreas rurais e programas de capital de giro para mitigar os danos.

Tentativa histórica de recuperação Diante do cenário desfavorável, trabalhadores e moradores locais organizam uma coalizão para tentar recomprar a fábrica, repetindo o feito histórico de 1973, quando funcionários se uniram para salvar a empresa de um fechamento anterior. “Esperamos que o raio caia duas vezes no mesmo lugar”, diz o líder sindical Stéphane Lefebvre. Contudo, especialistas locais ressaltam que o sucesso da empreitada exige forte apoio financeiro do governo e a eventual suspensão das tarifas alfandegárias. Com a chegada iminente do rigoroso inverno canadense, a comunidade corre contra o tempo para evitar danos definitivos aos equipamentos paralisados e garantir a sobrevivência de seu modo de vida.

Fonte: G1 Economia