Eleições de meio de mandato nos EUA: entenda o impacto no futuro de Trump
Faltam poucos dias para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as midterms, quando os eleitores participarão de uma votação que poderá ter um grande impacto no restante do mandato do presidente Donald Trump — previsto para terminar em janeiro de 2029. Em 3 de novembro, os americanos escolherão os membros do Congresso, que é composto por duas casas: a Câmara dos Representantes e o Senado.
O que são as midterms As eleições acontecem a cada dois anos e, quando ocorrem no meio do mandato de quatro anos do presidente, são chamadas de eleições de meio de mandato. Uma das principais tarefas do Congresso é criar e aprovar leis federais, que são aplicadas em todo o país. O resultado decidirá qual partido político — os republicanos da sigla de Trump ou os democratas, da oposição — controlará o legislativo e quão fácil será para o presidente executar seus planos. Os resultados também são vistos como uma métrica da satisfação da população americana com o desempenho do presidente até o momento.
Quem concorre nas urnas Todos os 435 membros da Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Congresso, serão eleitos para mandatos fixos de dois anos, sendo o local onde as propostas de lei costumam ser apresentadas e debatidas. Enquanto isso, 35 das 100 cadeiras do Senado, a câmara alta, também estarão em disputa para mandatos de seis anos, tendo entre suas funções a aprovação ou veto de projetos vindos da Câmara. No mesmo dia, eleitores em grande parte dos EUA também escolherão políticos em nível estadual, destacando-se as eleições para governador na Califórnia, Flórida, Geórgia e Michigan.
Pautas econômicas e imigração em debate A economia dos EUA está na mente de muitos americanos que enfrentam os preços dos combustíveis, alimentos, cuidados com a saúde e com a habitação. A inflação permanece acima da meta almejada pelo Federal Reserve, em parte devido à guerra que os EUA e Israel iniciaram com o Irã em fevereiro. Os democratas argumentam que as tarifas impostas por Trump sobre vários países também aumentaram os custos. A imigração é outra questão crucial, com os republicanos afirmando que Trump cumpriu uma promessa de campanha de 2024 ao reforçar a segurança na fronteira e lançar uma forte repressão à imigração ilegal. Além disso, a preocupação com a inteligência artificial (IA) tornou-se urgente, gerando debates sobre a necessidade de regulamentação frente à rejeição de Trump a leis de controle tecnológico.
O cenário atual do Congresso O legislativo é um dos três poderes do Estado, juntamente com o Executivo e o judiciário. Tanto a Câmara dos Representantes quanto o Senado são atualmente controlados pelo Partido Republicano, mas com margens apertadas. Eles possuem 218 cadeiras na Câmara — o mínimo necessário — mais um independente, e 53 cadeiras no Senado. A câmara alta só mudará de mãos se os democratas conquistarem pelo menos 51 cadeiras. A disputa é acirrada em estados como Iowa e New Hampshire para o Senado, e Arizona e Ohio para a Câmara, tornando-se mais imprevisível devido a disputas partidárias sobre o desenho dos distritos eleitorais.
O que está em jogo para a presidência Se os democratas vencerem a Câmara ou o Senado, Trump terá dificuldades para aprovar leis no Congresso, embora possa recorrer a ordens executivas. O controle oposicionista facilitaria investigações por meio de comissões parlamentares, podendo colocar sob escrutínio acusações de corrupção, o novo salão de baile da Casa Branca e as táticas do Serviço de Imigração e Alfândega. Também há debates sobre um possível processo de impeachment e barreiras para nomeações de juízes. Por outro lado, caso o Partido Republicano mantenha o controle, Trump poderá avançar com mais facilidade em sua agenda.
Perspectivas para o cenário político de 2028 O nome do presidente não consta na cédula eleitoral, embora ele tenha pedido que os eleitores ajam como se estivesse. Analistas utilizarão o pleito como um termômetro da popularidade presidencial, cujos índices de aprovação oscilaram desde o início do segundo mandato. Como a Constituição americana impede uma terceira candidatura de Trump, as eleições de meio de mandato também servirão de pontapé inicial para especulações sobre os sucessores republicanos e os principais concorrentes democratas para a corrida presidencial de 2028.
Fonte: Mundo