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Caderno Mercado

Da evidência à ação: Diego Menezes encerra o V CiEECi, em Portugal, com reflexão sobre escalabilidade e impacto da educação empreendedora

Da evidência à ação: Diego Menezes encerra o V CiEECi, em Portugal, com reflexão sobre escalabilidade e impacto da educação empreendedora
Foto: Leandro Snows

Conferência de encerramento do congresso, em Portugal, discutiu como transformar a produção científica em inovação e resultados para a sociedade

O V Congresso Internacional de Educação Empreendedora e Cidadania (CiEECi) chegou ao fim em Portugal com uma conferência dedicada a uma das perguntas mais desafiadoras da área: como transformar o que a pesquisa já demonstra em ações concretas, capazes de ganhar escala e gerar impacto real na sociedade.

Com o tema “Da evidência à ação: escalabilidade, transferência e impacto na educação empreendedora”, a conferência de encerramento reuniu o professor Diego Menezes, da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, no Brasil, e a professora Ana Brochado, da Universidade Aberta (DRCA) e da Ordem dos Economistas, em Portugal. A moderação ficou a cargo da professora Maria Elisete Martins Ferreira, do Instituto Politécnico de Gestão e Tecnologia (ISLA IPGT).

Do paper ao PIB

Diego Menezes abriu sua fala com um retrato do sistema brasileiro de ciência e tecnologia. Ele lembrou que as Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) estão distribuídas de forma desigual pelo país, concentradas sobretudo no Sudeste, assim como ocorre com outros indicadores, inclusive os educacionais.

O professor apresentou também o trabalho da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação (ABIPTI), que atua como secretaria executiva da Frente Parlamentar de Ciência, Tecnologia e Inovação. “Nós atuamos induzindo que as matérias relacionadas à ciência, tecnologia e inovação sejam apreciadas nas duas casas legislativas, com escuta ativa de todos aqueles que compõem a área”, explicou. Segundo ele, a ABIPTI circula por um ecossistema amplo, com assento em conselhos estratégicos e interação com instituições associativas, com o setor privado e com o poder público.

O centro da conferência foi um paradoxo. O Brasil ocupa historicamente entre a 13ª e a 15ª posição no ranking mundial de produção científica, o que corresponde a cerca de 3% de tudo o que é publicado no mundo. No entanto, quando o assunto é inovação, o país aparece em 52º lugar entre 139 economias no Índice Global de Inovação.

“Isso quer dizer que precisamos compreender melhor a nossa estratégia e os nossos investimentos, buscar a translação do saber e atravessar o vale da morte: sair do paper para acrescentar ao PIB”, afirmou. Para Diego, esse desafio dialoga diretamente com a educação empreendedora, cujo propósito é justamente converter conhecimento em resultados com impacto social.

A economia dos talentos

O conferencista descreveu o momento atual como uma transição histórica. “A riqueza do século XXI deixou de ser extraída do solo para ser cultivada na mente”, disse. Na leitura dele, a economia baseada em recursos físicos, como petróleo, mineração e uso da terra, vem dando lugar a uma economia de talentos, sustentada por ativos intangíveis: conhecimento, propriedade intelectual, algoritmos e inteligência artificial.

Essa mudança, segundo Diego, transformou a formação de pessoas em disputa geopolítica. Os países competem pela capacidade de produzir conhecimento, desenvolver tecnologias disruptivas e atrair e reter profissionais altamente qualificados. Ele citou Estados Unidos, China e Israel como destaques na formação, atração e retenção de talentos.

Diante desse cenário, o professor defendeu que Brasil e Portugal precisam encarar a formação educacional como direcionamento estratégico, respondendo a três perguntas: formar para quê, formar para quem e formar para onde. E acrescentou que, nesse processo, o físico e o digital não se opõem, mas se complementam dentro da proposta formativa.

Os conceitos do tema

Na parte final da conferência, Diego Menezes retomou cada uma das palavras que dão nome ao tema, evidência, escalabilidade, transferência e impacto, para alinhar com o público o sentido de cada conceito. A proposta foi mostrar que a educação empreendedora só cumpre seu papel quando o conhecimento produzido nas instituições consegue sair do ambiente acadêmico, ganhar escala e chegar à sociedade em forma de transformação concreta.

Encerramento

Ao lado da professora Ana Brochado, que trouxe a perspectiva portuguesa ao debate, a conferência fechou a programação do V CiEECi reforçando a mensagem que atravessou o congresso: produzir conhecimento de qualidade é essencial, mas o desafio está em transformá-lo em ação. Para Brasil e Portugal, países que compartilham a língua e muitos dos desafios na relação entre ciência, educação e inovação, o caminho passa por formar talentos com direção estratégica e por construir pontes entre a universidade, o poder público e o setor produtivo.