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Caderno Mercado

Petróleo despenca abaixo de US$ 100 após revés eleitoral de Trump

Petróleo despenca abaixo de US$ 100 após revés eleitoral de Trump

O mercado global de energia registra forte volatilidade nesta quinta-feira (5), com as cotações do petróleo operando abaixo da marca de US$ 100 por barril. A baixa ocorre após a commodity sofrer uma desvalorização superior a 8% no dia anterior, alcançando o menor patamar em mais de dois meses.

Impacto das eleições nos Estados Unidos

A derrocada nos preços reflete diretamente o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. O Partido Republicano, liderado pelo presidente Donald Trump, perdeu o controle do Congresso, o que levou investidores a apostarem que a nova configuração de poder poderá acelerar o encerramento do conflito envolvendo os EUA, Israel e o Irã.

No fechamento da véspera, os contratos futuros do Brent recuaram 8,7%, cotados a US$ 94,62 o barril, enquanto o WTI caiu 8,3%, fechando a US$ 88,12. Ambos os referenciais atingiram seus menores valores desde o final de outubro. Já no pregão desta quinta-feira, por volta das 14h, o Brent exibia recuperação de 2,29%, negociado a US$ 96,79, e o WTI subia 2,37%, a US$ 90,21.

Cenário político e negociações

Diante de um Legislativo controlado pela oposição democrata, o chefe da Casa Branca enfrenta um dilema entre buscar uma saída diplomática ou intensificar as hostilidades. Fontes ligadas a governos do Golfo apontam que o enfraquecimento político do mandatário reduz a probabilidade de uma ofensiva militar de grande proporção contra Teerã.

Em entrevista concedida ao jornal britânico Financial Times na terça-feira (3), Trump declarou que os EUA não possuíam planos imediatos de ataque. No dia seguinte, ele admitiu publicamente que o confronto militar pesou na derrota expressiva de sua legenda no pleito legislativo.

“O controle democrata do Congresso também poderia restringir os gastos militares dos EUA no Oriente Médio e aumentar a possibilidade de um acordo de paz em um prazo mais curto”, afirmou Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da empresa de serviços financeiros norte-americana BOK Financial, à Reuters.

Repercussão internacional e estoques

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, distanciou-se da condução da guerra, questionando a validade do conflito e creditando a ele o revés eleitoral republicano. Em contrapartida, o líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, pontuou por meio de nota que a hostilidade norte-americana se manterá inalterada, independentemente da força política no poder. Enquanto isso, o Catar intensificou conversas diplomáticas para impedir uma nova escalada de violência na região.

“As eleições estão dando aos investidores que apostam na queda dos preços um motivo para duvidar da continuidade do conflito no Irã. […] Estou mais preocupado com a possibilidade de vermos uma escalada antes de uma resolução”, disse Carl Larry, que lidera a equipe de negociação e risco para a América do Norte na Enverus, à Reuters.

Paralelamente, os dados logísticos e de suprimento mostram que as exportações de óleo bruto e derivados dos países do Golfo recuaram para uma média de 17,1 milhões de barris diários em outubro. No mercado interno norte-americano, os relatórios da Administração de Informação de Energia (EIA) indicaram reduções nos estoques de combustíveis e óleo bruto ao longo da última semana.

Fonte: G1 Economia