Pular para o conteúdo principal

Caderno Mercado

Enem 2024: segredos de interpretação para a prova de linguagens

Enem 2024: segredos de interpretação para a prova de linguagens

Dominar a habilidade de leitura é tão determinante quanto memorizar conteúdos para a prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, aplicada no primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), agendado para 8 de novembro.

Previsibilidade da matriz de referência

Resolver exames de anos anteriores, prestando atenção nos comandos e contextos, figura entre as principais formas de preparação. O professor Eduardo Calbucci destaca a consistência histórica do exame.

“O Enem tem uma matriz de referência que é a mesma desde 2009. Então, a prova tem um grau de previsibilidade bastante grande”.

“A primeira orientação que a gente dá aos alunos é estudar provas anteriores. As habilidades que estão sendo exigidas pelo Enem são as mesmas há 16, 17 anos.”

Estratégias para o volume de textos

A espinha dorsal da avaliação reside justamente na leitura e na interpretação, conforme aponta o professor Eli Carlos Guimarães.

“Todo ano, mais de um terço das questões exige análise de gêneros textuais, como charge, artigo de opinião, resenha, canções, postagens digitais, além de variação linguística e funções da linguagem. O texto muda, mas a habilidade cobrada é totalmente previsível”.

Para o estudante Pedro Augusto Rocha Rodrigues, de 18 anos, a densidade de material impresso representa um obstáculo considerável.

“Como sempre, o Enem tem muito texto, uma coisa muito bruta para ser processada, digerida. Se você não entende o comando, não tem como você resolver a questão de uma forma adequada”.

Diante disso, o professor Eli sugere iniciar a leitura pelo enunciado localizado abaixo do texto.

“Sabendo exatamente o que a banca está pondo, você vai para o texto com um olhar focado na informação correta. Dessa forma, você economiza tempo e evita releituras desnecessárias.”

Na reta final, a recomendação é revisar funções da linguagem, variação linguística e coesão textual, observando conectivos como “contudo”, “portanto” e “embora”.

O que cai em literatura

Compreender as conexões entre o contexto histórico, as ideias de uma época e as características das obras literárias continua sendo crucial. O docente reforça a importância de revisar períodos específicos.

“Modernismo, principalmente a primeira e segunda fases, com Drummond, Graciliano Ramos, Cecília Meirelles, o realismo de Machado de Assis e o romantismo. Também ficar atento à literatura contemporânea, porque ela dá voz a pautas sociais, como as obras de Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e a literatura indígena”.

Língua estrangeira e falsos cognatos

No caderno de Inglês, a exigência vai além do vocabulário básico, segundo o professor Tiago Gentil.

“O Enem tende a empregar não somente textos e interpretação, mas a relação entre imagens, diagramas, situações do dia a dia e documentos. Não é se ater somente ao vocabulário, à gramática, mas se atentar a contextos, à mensagem global do que está sendo dito”.

Já na prova de Espanhol, o professor Júlio Manuel Sanchez Tello chama atenção para as armadilhas dos falsos cognatos.

“Por exemplo: para nós, falantes da língua espanhola, algo esquisito é algo requintado, é algo saboroso, é algo delicioso. Não o esquisito de raro, de raridade e rareza como seria na língua portuguesa”.

O especialista acrescenta que a gramática tradicional tem espaço reduzido no exame.

“Gramática pura aparece pouquíssimo. Sinônimos e antônimos aparecem dentro do contexto do próprio texto. A sintaxe é raríssima.”

Fonte: Agencia Brasil