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Caderno Mercado

Dois executivos presos por escândalo do Ueno Bank, no Paraguai, trabalharam no Brasil

Dois executivos presos por escândalo do Ueno Bank, no Paraguai, trabalharam no Brasil


São Paulo


Dois dos oito executivos presos por denúncias de fraudes ligadas ao Ueno Bank, no Paraguai, trabalharam anteriormente no Brasil: Diego Duarte Schussmuller e Alejandro Gómez, que ocupavam os cargos de diretores administrativos da instituição.

Na madrugada de quarta-feira (4), o Banco Central do Paraguai decretou o fechamento do Ueno Bank. O índice de solvência do banco, indicador que mede a capacidade de uma instituição financeira de absorver perdas, caiu para 5,56%, menos da metade do mínimo regulatório no país (12%).

A crise fez o presidente paraguaio, Santiago Peña, renunciar ao cargo nesta quinta-feira (5). Ele foi investidor da holding do Ueno Bank até março de 2025.

Escritório do Ueno Bank em Assunção

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Cesar Olmedo – 3.nov.26/Reuters

O juiz penal de garantias Rodrigo Estigarribia, especializado em crimes econômicos, determinou nesta quinta-feira (5) a prisão preventiva dos principais executivos ligados ao escândalo, incluindo o presidente do banco, Juan Manuel Gustale Cardoni, o fundador e primeiro vice-presidente, Federico Miguel Vázquez Villasanti, e a segunda vice-presidente, Diana Leticia Mongelós González.


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Um dos presos é Diego Duarte Schussmuller, ex-integrante do conselho de administração do Banco Central do Paraguai e diretor titular do Ueno Bank.

Seu perfil profissional no LinkedIn está fora do ar, mas o site da instituição financeira informa que Schussmuller “ocupou cargos de alta direção executiva em diversas instituições financeiras no Paraguai e no Brasil, tanto no setor privado quanto no público”. A reportagem apurou que Schussmuller foi analista do Citibank em São Paulo de 2007 a 2010.


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A página diz que ele foi presidente e gerente-geral da Agência Financeira de Desenvolvimento do Paraguai, além de presidente, gerente-geral e membro do conselho da agência de classificação de risco Solventa SA.

Também informa que Schussmuller fez cursos de especialização e estágios em países como Brasil, Israel, Inglaterra, Espanha, Canadá, Colômbia, El Salvador e Argentina.

Outro executivo preso com ligações com o Brasil é Alejandro Gómez, diretor titular do Ueno Bank. Ele foi diretor sênior de crédito do HSBC em São Paulo de junho de 2014 a dezembro de 2015, conforme seu perfil no LinkedIn.

Na função, foi responsável por “gerenciar e liderar a equipe de análise de crédito do Grupo de Recursos e Energia, responsável pela cobertura de aproximadamente 25 empresas brasileiras dos setores de petróleo e gás, metais e mineração e energia elétrica, com mais de US$ 170 bilhões em dívida em aberto e representando uma parcela significativa da carteira do HSBC Global Banking”.

Antes de chegar ao HSBC, Gómez atuou na agência Standard & Poor’s, também em São Paulo, de setembro de 2012 a maio de 2014. Ocupou diferentes funções, como diretor associado de classificações corporativas e de serviços públicos e infraestrutura para a América Latina.


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Ainda segundo o perfil no LinkedIn, ele foi analista líder de clientes dos setores de mineração e papel e celulose, incluindo CSN, Usiminas, Klabin e Suzano.

Gómez supervisionou e coliderou a equipe brasileira de serviços públicos e infraestrutura, cobrindo mais de 30 empresas com R$ 100 bilhões em dívida em circulação.

Também chefiou iniciativas de relacionamento com reguladores do setor elétrico brasileiro, como o Ministério de Minas e Energia, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Ele supervisionou a classificação de risco de empresas como Eletrobras, Sabesp, Cemig e Taesa.

Outros presos

Juan Manuel Gustale Cardoni era o presidente do Ueno Bank. Tem formação em direito bancário pela London School of Economics e em administração pública pela Universidade Harvard.

Federico Miguel Vázquez Villasanti, fundador e primeiro vice-presidente do banco, foi CEO da casa de crédito paraguaia Credicentro.


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Diana Leticia Mongelós González, segunda vice-presidente do Ueno, é advogada formada pela Universidade Nacional de Assunção e construiu a carreira na esfera jurídica.

Julio Daniel Rey Fernández, ex-segundo vice-presidente da instituição, foi preso devido à sua ligação anterior com o banco, mas não há informações detalhadas sobre sua trajetória profissional.

Mariana Torres foi diretora-geral do Ueno Bank, mas não se sabe sua conexão atual com a instituição, segundo o jornal ABC Color.

Miguel Ángel Almada Frutos, diretor jurídico do Grupo Vázquez, tem ações de empresas identificadas pelo Banco Central do Paraguai no processo de investigação, como Grupo MSA, Grupo Hendy SA, Aime SA e Tuiu SA.

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Fonte: Folha - Mercado