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Caderno Mercado

Senado aprova por unanimidade a PEC da Segurança Pública

Senado aprova por unanimidade a PEC da Segurança Pública

O Senado Federal aprovou por unanimidade a PEC da Segurança Pública, em um desfecho que mexeu com os rumos da articulação política em Brasília e abriu novas perspectivas para o Palácio do Planalto e para o comando da Casa legislativa.

Contexto político e o avanço da pauta A discussão sobre segurança pública ganhou força após o primeiro turno, marcado pelo desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula (PT) naquele momento, e pela formação de uma maioria conservadora no Congresso Nacional.

Diante desse cenário, a estratégia do governo e do candidato à reeleição foi intensificar o debate sobre segurança pública. A oposição, por sua vez, condicionou o apoio à PEC da Segurança Pública à inclusão da redução da maioridade penal, colocando o governo em uma situação delicada.

O papel estratégico de Davi Alcolumbre O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estava enfraquecido pelo resultado eleitoral em seu estado e pela composição do casa após as eleições. Precisava, portanto, oferecer apoio ao governo para conseguir ajuda em seu projeto de reeleição, prevista para fevereiro.

O movimento avançou quando Alcolumbre sinalizou que colocaria a proposta em votação. A oposição, então, aproveitou a oportunidade para pressionar o governo: afirmou que seria favorável à PEC, mas condicionou o apoio à inclusão da redução da maioridade penal.

A pressão da redução da maioridade penal A questão era delicada para o governo, que não tinha articulação suficiente para garantir o apoio de sua base mais à esquerda e progressista à redução da maioridade penal. O tema ganhou destaque na entrevista de Lula ao Jornal Nacional, quando o presidente declarou, pela primeira vez, ser favorável à redução da idade penal para 16 anos.

Sem articulação para aprovar a matéria e sem condições de entrar em uma votação com risco de derrota, o governo ficou em uma posição difícil. Alcolumbre, então, atuou pela segunda vez e retirou a proposta da redução da maioridade penal de pauta.

Perspectivas futuras no Congresso Agora, o assunto volta ao debate por causa de uma janela de oportunidade na próxima legislatura. O ano está chegando ao fim, e o Congresso precisa votar o orçamento. Além disso, a nova composição do Legislativo, com um perfil ainda mais conservador, pode dificultar a aprovação da proposta nos moldes pretendidos pelo governo.

A conclusão do processo legislativo consolida um momento de intensa negociação entre o Poder Executivo e o Legislativo, refletindo a força da bancada conservadora e a habilidade de articulação política no parlamento brasileiro.

Fonte: G1 - Política