Pular para o conteúdo principal

Caderno Mercado

Bastidores da campanha de lula revelam estratégia para virada inédita

Bastidores da campanha de lula revelam estratégia para virada inédita

Após encerrar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial mais apertada desde a redemocratização, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promoveu uma reformulação estratégica drástica para garantir uma virada inédita na segunda etapa do pleito.

A nova estrutura do QG em brasília

Logo após o resultado do primeiro turno em 4 de outubro, a coordenação montou uma sala de situação em Brasília. O grupo reunia estrategistas, técnicos e líderes partidários para destrinchar dados fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e desenhar ações regionalizadas.

Com a menor diferença já registrada entre os dois primeiros colocados — 47,03% para o candidato do PL contra 45,16% para o atual presidente —, a equipe precisou recalcular os rumos e reestruturar a coordenação nacional com a chegada de novos nomes nordestinos para a cúpula.

Mudanças na cúpula e inteligência de dados

Para comandar os novos rumos da disputa, o senador Camilo Santana (PT-CE) assumiu a coordenação política, o senador eleito Rui Costa (PT-BA) ficou responsável pela agenda e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, assumiu a comunicação.

A partir desse mapeamento minucioso, a campanha passou a segmentar mensagens conforme o objetivo regional: elevar a rejeição ao adversário, incentivar o voto positivo em Lula ou focar na redução da abstenção e na captura de eleitores da terceira via.

“Somado a isso, a gente tinha a organização do Pode Espalhar, que era uma coisa montada em 2022, aprimorada um pouco, mas era orgânico, alcançava mais a militância. Tivemos o Porta-voz do presidente Lula, sob a coordenação do Boulos, para tentar ampliar o simpatizante que não era do PT, mas que era progressista, mas, na prática, esse engajamento só aconteceu no segundo turno com [André] Janones, que extrapolou a bolha”, disse o secretário de Organização do PT, Laércio Ribeiro de Oliveira.

O papel das redes sociais e o fator janones

Convencido por Rafael Fonteles da urgência de estabelecer um diálogo direto na internet, o presidente passou a gravar conteúdos direcionados a estados estratégicos como Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco, adotando uma postura de estadista.

Paralelamente, a mobilização digital ganhou força com a atuação do deputado federal André Janones (Rede-MG). À frente do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que alcançou 10,5 milhões de seguidores, o parlamentar aplicou estratégias agressivas de algoritmos que inicialmente geravam resistência interna no partido.

“Se você olhar o resultado do Brasil inteiro, o que mais surtiu efeito foi a redução da abstenção e o eleitor que voltou para a urna, não tinha ido no primeiro turno, foi para a urna ou que mesmo não tinha votado em 2022. Isso foi o que mais surtiu efeito, mas tem esse eleitor da terceira via, que foi para ele (Lula). São quase 10 milhões de votos, né?”, pontuou Laércio.

O fim dos intermediários na política

Ao final do processo eleitoral, a avaliação interna é de que os moldes tradicionais de fazer política perderam eficácia, exigindo maior criatividade e contato direto com as massas por meio de plataformas digitais e novas tecnologias.

“Esse segundo turno mostrou que é preciso ter criatividade, que tem que falar de forma direta com a massa. Não tem mais intermediário. Você fala com o sindicato, o sindicato reproduz essa relação com os seus trabalhadores. Você fala com movimento social organizado, o movimento social organizado reproduz isso. Eu acho que a sociedade está mudando nesse sentido, está perdendo os intermediários”, declarou o secretário.

“Não significa que isso deixa de ter importância porque voocê organiza a luta, organiza a partir disso, as suas pautas, mas isso é insuficiente hoje para você falar com o povo, falar com a massa”, concluiu.

Fonte: G1 - Política