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Caderno Mercado

Ex-diretora do BRB alertou sobre R$ 1,1 bi em atrasos antes de indiciamento

Ex-diretora do BRB alertou sobre R$ 1,1 bi em atrasos antes de indiciamento

A investigação da Polícia Federal sobre as negociações entre o Banco de Brasília e o extinto Banco Master revelou que a cúpula da instituição financeira foi alertada por uma de suas diretoras sobre graves problemas em carteiras de crédito adquiridas, totalizando R$ 1,1 bilhão em atrasos superiores a 15 dias.

Alertas internos ignorados no BRB De acordo com o relatório da PF divulgado nesta quarta-feira (28), a ex-diretora executiva de Controle e Riscos do Banco de Brasília, Luana de Andrade Ribeiro, informou a situação aos superiores, apontando também a ausência de averbações de contratos que comprovariam a natureza consignável dos créditos, embora as operações tenham sido confirmadas mesmo assim.

Em mensagens trocadas em 12 de fevereiro de 2025 com o então diretor executivo de Finanças e Controladoria, Dário Oswaldo Garcia Júnior, Luana relatou que realizava a análise “na confiança”. Na mesma conversa, a executiva classificou o processo como uma “colcha de patelhos” e mencionou sofrer pressão hierárquica. “Tô fingindo demência com o chefe. Pra ele parar de brigar”, escreveu no inquérito. Tanto ela quanto Dário constam na lista dos 15 indiciados.

Outras falhas e histórico de advertências O volume de R$ 1,1 bilhão em atrasos não representou o primeiro aviso sobre irregularidades nas carteiras do Banco Master. Já em 2024, gestores do BRB haviam sido alertados de que aproximadamente 90% dos ativos recebidos apresentavam falhas ou descumpriam os critérios exigidos pelo banco público, cujos negócios resultaram em injeção de R$ 16,7 bilhões antes de a compra ser barrada pelo Banco Central.

Indiciamentos e pedido de prazo ao STF A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um relatório parcial com mais de 700 páginas pedindo o indiciamento de 15 pessoas, incluindo Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, Augusto Lima, ex-sócio, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Os investigadores também solicitaram um prazo adicional de 60 dias para concluir perícias, pedido que será avaliado pelo ministro André Mendonça.

Contexto da investigação e defesas Segundo a PF, Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa lideravam o núcleo estratégico da organização criminosa que tentou viabilizar a transação entre 2024 e 2025. Atualmente, Vorcaro, Costa e Lima encontram-se presos em decorrência de fases da Operação Compliance Zero. As defesas dos investigados repudiaram os indiciamentos, classificando as conclusões policiais como precipitadas, baseadas em leituras parciais de mensagens e desprovidas de comprovação técnica de prejuízos definitivos.

Fonte: G1 - Política