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Caderno Mercado

Lula receberá conselho para ignorar Flávio Bolsonaro e focar na governabilidade

Lula receberá conselho para ignorar Flávio Bolsonaro e focar na governabilidade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve receber orientações de seus aliados para cessar as menções públicas a Flávio Bolsonaro (PL) e concentrar esforços na construção de seu quarto mandato, enfatizando que eventuais pendências legais do parlamentar dizem respeito exclusivamente ao Judiciário brasileiro.

Estratégia de distanciamento institucional A avaliação interna é de que o Poder Executivo não deve intervir na decisão do oposicionista de residir temporariamente no exterior, uma vez que o episódio carece de natureza política institucional.

A polêmica ganhou força nesta terça-feira (27), data em que o petista celebrou seu aniversário e aproveitou a ocasião para reprovar a atitude do adversário, acusando-o de ter “fugido” do país. Na mesma ocasião, o chefe do Executivo resgatou episódios do período da Operação Lava Jato, quando recusou propostas de exílio e optou por cumprir pena de 580 dias de reclusão, ponderando posteriormente que o cenário político nacional exige pacificação em detrimento de novos conflitos.

Riscos políticos e impacto na oposição Para os conselheiros palacianos, a prioridade do governo deve residir na pacificação nacional, conforme mencionado pelo próprio mandatário em seu discurso recente.

Um dos assessores destacou a urgência de evitar atritos desnecessários com a base conservadora: “A hora é de buscar paz para começar um quarto mandato que, pela questão fiscal, não será fácil no início”. A avaliação é de que o engajamento em embates verbais apenas mobiliza os apoiadores de Flávio Bolsonaro, alimentando a oposição de forma gratuita.

Além disso, os interlocutores apontam que a mudança de país adotada pelo parlamentar do PL tende a fragmentar o campo oposicionista. As primeiras manifestações públicas de figuras como o governador paulista Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) e Michelle Bolsonaro evidenciam a disputa pelo espólio de liderança da direita, enquanto o coordenador da campanha liberal, senador Rogério Marinho, manifestou insatisfação com a viagem.

Repercussão no Congresso Nacional Nos bastidores partidários, lideranças do PL admitem que a movimentação do senador compromete as pretensões da legenda no Senado Federal. Com a perda de capital político do ex-candidato, legendas aliadas como PP e União Brasil apressaram-se em sinalizar apoio à recondução do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

Diante desse cenário de divisão interna na oposição e dos desafios econômicos previstos para o próximo ciclo administrativo, a recomendação central ao presidente é permitir que o próprio campo adverso lide com as consequências do episódio, preservando as energias do governo para a agenda legislativa e fiscal.

Fonte: G1 - Política