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Polícia investiga vídeo de homem negro acorrentado em ato político no Rio

Polícia investiga vídeo de homem negro acorrentado em ato político no Rio

A Polícia Civil do Rio de Janeiro vai investigar um vídeo em que um homem negro aparece sendo conduzido por uma corrente por um manifestante branco durante uma manifestação de apoio ao senador Flávio Bolsonaro. A confirmação da apuração foi feita pela corporação nesta segunda-feira (26).

Contexto da manifestação na Zona Sudoeste

A gravação ocorreu na tarde de sábado (24), na Barra da Tijuca, área nobre da Zona Sudoeste carioca, durante um protesto ligado ao período eleitoral. Flávio concorria à Presidência da República no pleito em que Lula (PT acabou reeleito. O ato marcou o encerramento da campanha do político no estado, contando com passagens pela orla e mobilização na Praça do Ó, com a presença de aliados como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o governador eleito Douglas Ruas (PL).

A Polícia Civil informou que “o caso foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Diligências estão em andamento para apurar as circunstâncias dos fatos”. Paralelamente, o Ministério da Igualdade Racial acionou o Ministério da Justiça e a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio para que investiguem a ocorrência como um possível crime de racismo. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) também analisa os registros para definir providências.

Repercussão e flagrante das câmeras

O registro inicial foi feito pelo jornalista Raphaël Bernard e divulgado pela revista Fórum. Nas imagens, o participante negro exibe adesivos e inscrições do Partido dos Trabalhadores (PT) enquanto segura um tridente. Logo atrás, um manifestante branco puxa a corrente e profere xingamentos direcionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O jornalista Luís Adorno, do UOL, também capturou outro momento da cena em que o homem negro usava uma máscara.

“A primeira reação que eu tive foi de choque grande, porque a situação de um homem branco segurando um homem preto em correntes é muito explícita, né? Não tem contexto que possa justificar ou amenizar esse tipo de situação”, justificou o jornalista.

Defesa alega encenação

Identificado como o indivíduo que segurava a corrente, Carlos Martins negou qualquer motivação racista e classificou o episódio como uma manifestação artística.

“A intenção era simplesmente uma sátira. Eu posto nas minhas redes sociais há muitos anos, chamando o Lula de Satanás e capiroto. É uma característica que não é a primeira vez, e a gente quis mostrar aqui que o Lula era o Satanás caracterizado e que o Bolsonaro, que para a gente está numa prisão injusta, estava prendendo o Lula. Não passou de uma simples sátira, nenhuma intenção racista de nada”, justificou Carlos Martins em um vídeo publicado nas redes sociais.

O manifestante também pediu desculpas públicas aos cidadãos que se sentiram ofendidos pela dinâmica apresentada na manifestação de rua.

“Eu, há pouco tempo, publiquei que eu sempre fui contra o racismo. Eu falei até que o Lula era racista, que ele tinha chamado o negro de desdentado, que eu não pactuo com isso. A gente quer pedir desculpa a todos os cidadãos brasileiros que se sentiram ofendidos por isso. Não estamos aqui para desrespeitar qualquer ser humano brasileiro”.

Fonte: G1 - Política