A era da abundância trazida pela inteligência artificial é um mito
A promessa de que a inteligência artificial trará uma era de abundância e jornadas de trabalho reduzidas é vista com ceticismo. Bilionários como Elon Musk e Jeff Bezos frequentemente defendem que a tecnologia nos poupará esforço, enquanto líderes empresariais projetam semanas de quatro ou até três dias e meio de labor.
O paradoxo histórico da produtividade tecnológica
A ideia de que a tecnologia elimina o trabalho não se sustenta na história. O livro de Ruth Schwartz Cowan, “More Work for Mother”, de 1983, demonstrou que a introdução de eletrodomésticos no século 19 não reduziu o tempo gasto pelas mulheres em tarefas domésticas, pois as exigências apenas se expandiram e elas buscaram novas ocupações.
Embora o avanço tecnológico tenha cortado as horas de labuta pela metade nos países ricos desde o final do século 19, a humanidade não reduziu o ritmo. As inovações apenas liberam tempo para que a sociedade busque aquilo a que atribui mais valor, geralmente associado à busca por uma vida melhor e mais significativa.
A ascensão do mercado voltado para o bem-estar e conexões
O foco dos investimentos e do consumo nas próximas décadas deve mudar radicalmente, migrando em direção ao topo da hierarquia de necessidades de Abraham Maslow. Enquanto gastos básicos com alimentação e vestuário caíram drasticamente em países ricos ao longo das últimas décadas, as empresas de amanhã tendem a direcionar esforços para o que traz alegria, conexões sociais e crescimento pessoal.
Tendências de mercado já refletem essa mudança comportamental. A indústria global do bem-estar alcançou a marca de US$ 7 trilhões em 2024, superando setores tradicionais como tecnologia da informação, esporte e turismo.
O futuro dos investimentos na busca pelo autoaperfeiçoamento
Pesquisas da McKinsey apontam que a grande maioria dos consumidores considera a saúde e o bem-estar uma prioridade absoluta. Enquanto isso, plataformas voltadas para atividades físicas, conexões sociais e aplicativos de relacionamento continuam em forte expansão, provando que o desejo por melhoria pessoal e convívio impulsiona a economia moderna.
O surgimento de novos negócios capazes de transformar a experiência humana e o desenvolvimento pessoal pode superar o impacto econômico da inteligência artificial. O verdadeiro motor de crescimento para o futuro está em atender aos desejos mais profundos de autoaperfeiçoamento da sociedade.
Fonte: Folha - Tecnologia