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Caderno Mercado

Cenário pós-eleição acelera reorganização do centrão em Brasília

Cenário pós-eleição acelera reorganização do centrão em Brasília

A definição do pleito marcado para domingo (25), seja com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou de Flávio Bolsonaro (PL), servirá como combustível imediato para a realinhamento das forças do centrão. Esse movimento nos bastidores de Brasília promete ganhar tração logo após a divulgação do resultado nas urnas, com uma urgência ainda maior caso o clã bolsonarista retorne ao comando do Palácio do Planalto.

O redesenho de forças no legislativo

Caso o candidato do PL saia vitorioso, os partidos de centro precisarão se estructurar rapidamente para manter sua relevância e impor limites ao poder governamental. Por outro lado, se a reeleição do petista se confirmar, a estratégia de adaptação será igualmente vital para conseguir conter o ímpeto do partido de Jair Bolsonaro no parlamento. O descolamento e o rearranjo dessas engrenagens políticas já estão ocorrendo e vão se acelerar nas próximas horas.

Com o fim da disputa, a agenda legislativa dos meses de novembro e dezembro prevê votações de peso, encabeçadas pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa encerrar a reeleição para cargos executivos. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o PP estão entre os principais articuladores a favor da proposta, enquanto setores de esquerda analisam o texto antes de definir uma posição contrária.

Negociações avançadas e o futuro do STF

As articulações já contam com passos avançados junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Entre os temas debatidos pelos parlamentares está uma PEC voltada a reformular as regras para a escolha de ministros do Supremo Tribunal Federal, o que incluiria o estabelecimento de limites de idade mínima e de tempo de mandato.

Além disso, o próximo presidente precisará lidar com a aprovação de uma indicação para o STF — onde Rodrigo Pacheco surge cotado — e a escolha de outro nome para compor o Tribunal de Contas da União (TCU).

Desafios econômicos e o impacto ambiental

Os obstáculos na economia para o ano de 2027 exigirão pulso firme, independentemente de quem vencer. Enquanto Lula adotou medidas de apelo popular com impacto fiscal futuro, Flávio firmou compromissos difíceis de conciliar com a imagem de fiscalmente responsável que tenta projetar.

Um dado novo: Flávio falou que “o produtor vai fazer o que quiser com sua terra”, ao prometer um programa de regularização fundiária e a revisão das restrições ambientais. A declaração foi dada durante ato de campanha no Pará, ignorando as diretrizes do Código Florestal que determinam a preservação de 80% da cobertura vegetal nativa na região.

A proposta de afrouxar regras ambientais pode funcionar como um catalisador para barreiras protecionistas na Europa contra os produtos nacionais, ameaçando acordos comerciais internacionais como a parceria entre União Europeia e Mercosul.

No fim das contas, a economia real exigirá respostas que vão além de promessas de campanha, em um ambiente político impactado pelos desdobramentos eleitorais e por velhos fantasmas econômicos que continuam a assombrar o cenário nacional.

Fonte: Folha - Mercado