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Caderno Mercado

Lula tenta virada histórica no segundo turno contra Flávio Bolsonaro

Lula tenta virada histórica no segundo turno contra Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputa uma virada inédita contra Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e tenta nadar contra a forte maré de alternância política que tomou conta do continente americano recentemente.

O cenário nas Américas Em 2022, o pleito que consagrou Lula marcou um fato inédito: pela primeira vez na história do Brasil, um presidente postulante à reeleição acabou derrotado. Desde aquele momento, a troca de comando nos governos centrais virou regra em grande parte dos países da região.

Análise das eleições no continente Levantamento estatístico das últimas 17 disputas democráticas na região aponta que apenas 6 processos (35%) mantiveram o governante no cargo ou elegeram seu sucessor. Em 11 ocasiões (65%), a oposição saiu vitoriosa, contemplando nações como Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Colômbia, Chile e o próprio Brasil. Por outro lado, países como México, Canadá e Paraguai optaram pela continuidade dos grupos governistas.

Visão acadêmica sobre o fenômeno político Amâncio Jorge de Oliveira, professor titular do Instituto de Relações Internacionais da USP, avalia que há uma tendência natural de mudança, mas também enxerga uma guinada à direita, principalmente na América Latina.

“Tem duas camadas, dois movimentos. Um é de mudança, são ventos de mudança, e outros de mudança na direção da direita. Isso na América Latina isso é muito claro e em outros lugares, na própria Europa. No caso da América Latina, há que se ver qual é o efeito da guinada à direita dos Estados Unidos sobre as eleições regionais”, disse o professor.

“Difícil saber se é um vínculo da casualidade mais que de contaminação, mas tem havido uma sequência de viradas de administrações de direita com bastante recorrência. O Brasil está numa encruzilhada nessa linha tendendo a seguir o caminho de demais países latino-americanos”, pontuou.

Crise de popularidade e ajuste fiscal Além da troca constante de mandatários, o continente registra quedas acentuadas na popularidade de líderes recém-empossados, impulsionadas por políticas severas de equilíbrio fiscal e cortes orçamentários.

“Nós temos na base, na origem desse problema, o fiscal. Você tem desarranjos fiscais muito violentos nesses países. A Argentina talvez seja o caso mais impressionante de um país com desarranjo fiscal, desequilíbrio fiscal, déficit fiscal. A entrada de gestões de direita combina uma situação de demanda e exigência de controle fiscal com práticas que são práticas de retiradas de direitos trabalhistas para poder facilitar esse ajuste fiscal”.

“Quando você combina ajuste fiscal com retirada de direitos, você tem uma crise de legitimidade e de sustentação governamental”, argumentou.

O papel das redes sociais na política O avanço das plataformas digitais também modificou a dinâmica eleitoral, acelerando tanto a ascensão quanto a derrocada de figuras públicas de forma imprevisível.

“O impacto é mais rápido. Isso é um fenômeno de massa. A opinião de massa, ou opinião popular, era mais volátil do que a opinião de elite. Ela faz alterações e mudanças de direção de maneira muito brusca. Já as elites são mais stable no tempo porque tomam decisões entendendo a complexidade e com mais calma. O efeito da internet potencializa esses deslocamentos bruscos. Numa direção ou de outra”.

“O mesmo efeito que leva esse governante a ser eleito também leva a perder credibilidade, porque você propaga muito mais rápido a informação. Com o agravante que tem acontecido, e o Brasil tem a prova disso, que você tem basicamente eleito influencers. Não são pessoas de carreira política. O que gera também um problema de estabilidade do sistema, estabilidade do sistema partidário”, pontuou.

Panorama geral nas nações americanas O histórico recente demonstra a força dessa onda de mudanças políticas em diversos territórios do continente, abrangendo desde o retorno de figuras tradicionais até surpresas nas urnas motivadas por crises econômicas e sociais profundas.

Fonte: G1 - Política