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Caderno Mercado

Embaixadas em Brasília articulam aval para eleição presidencial do Brasil

Embaixadas em Brasília articulam aval para eleição presidencial do Brasil

Corpos diplomáticos estrangeiros instalados em Brasília articulam uma estratégia para validar com rapidez o vitorioso do segundo turno da disputa presidencial brasileira. A medida preventiva busca barrar qualquer tentativa exterior de antecipar o resultado do pleito realizado neste domingo (25).

Estratégia contra interferências

O páreo decisivo coloca frente a frente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, que aparecem empatados tecnicamente nas pesquisas de intenção de voto — com 50% dos votos válidos para cada um, conforme levantamento do Datafolha. Apesar das articulações em curso, diversas missões internacionais ainda debatem com suas respectivas sedes governamentais qual será a melhor condução para o cenário.

O receio central de parte dos representantes estrangeiros recae sobre a postura do governo de Donald Trump. Fontes diplomáticas apontam o temor de que o líder norte-americano questione a lisura do processo caso o atual presidente vença por margem apertada.

“Não me surpreenderia se Trump ou (o presidente argentino de direita Javier) Milei declarassem Bolsonaro vencedor antes mesmo das autoridades eleitorais”, pontuou um dos diplomatas, sob reserva de identidade, ressaltando o perigo de uma crise institucional grave.

Precedentes internacionais e o histórico de 2022

O histórico recente traz lembranças do pleito de 2022, quando potências globais apressaram o reconhecimento da vitória de Lula sobre Jair Bolsonaro — pai de Flávio, que posteriormente recebeu condenação de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado após atos antidemocráticos de apoiadores.

“Nosso principal objetivo é reconhecer o resultado de uma eleição que esperamos que seja realizada de acordo com bons padrões. Temos confiança no sistema eleitoral brasileiro”, destacou um representante europeu, reforçando que a agilidade na chancela oficial é a meta principal.

A corrida eleitoral ganhou novos contornos após Flávio Bolsonaro liderar o primeiro turno em 4 de outubro, impulsionando os mercados financeiros com a perspectiva de reformas econômicas liberais. Contudo, a vantagem inicial diminuiu na reta final, acirrando os ânimos políticos.

“Se Lula vencer, especialmente por uma margem estreita, é inevitável que pelo menos alguns digam que a votação foi, de alguma forma, fraudada a seu favor”, avaliou outra fonte diplomática sobre a pressão exercida sobre o Tribunal Superior Eleitoral.

Impacto nas relações bilaterais

Para o meio acadêmico, o comportamento da Casa Blanca diante de um eventual triunfo da esquerda representará um momento crítico. Oliver Stuenkel, docente da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, classificou a hipótese como um ponto crítico para a diplomacia bilateral. “Acho que esse é um cenário que precisamos manter no radar”, alertou.

Apesar dos receios envolvendo o negacionismo eleitoral, as embaixadas mantêm o respaldo ao sistema democrático nacional, destacando que a apreensão transcende a preferência por um candidato específico.

“Não me importa se Lula ou Bolsonaro vencer”, resumiu um diplomata. “O que me importa é o estado da democracia brasileira após esta eleição.”

Fonte: G1 - Política