Falha crítica no PHP descoberta em 2024 gerou apagão de sites globais
A Fundação PHP admitiu oficialmente que os primeiros indícios da grave brecha de segurança, que recentemente obrigou governos e empresas globais a tirarem páginas do ar de forma preventiva, foram detectados ainda em 2024.
O impacto da vulnerabilidade no Brasil e no mundo
Desde a última quarta-feira (21), diversas nações adotaram medidas drásticas para bloquear acessos e impedir potenciais invasões cibernéticas. O ponto crítico da falha reside na possibilidade de criminosos assumirem o controle total de servidores sem a necessidade de credenciais de login ou senha, embora uma atualização corretiva já esteja liberada.
No cenário nacional, órgãos como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e instâncias do poder judiciário optaram por suspender temporariamente o funcionamento do Sistema Eletrônico de Informações (SEI) como medida de precaução. Apesar da mobilização, não foram registradas ocorrências de grandes prejuízos em território brasileiro.
A importância global do PHP
Considerada uma das tecnologias fundamentais para o desenvolvimento web, a linguagem de código aberto é amplamente utilizada para estruturar portais famosos. Plataformas como Facebook, Wikipedia, WordPress, além do ambiente educacional Moodle e de e-commerces baseados no Magento, dependem da ferramenta.
Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks e especialista em telecomunicações, afirma que “rankings públicos ainda apontam o PHP como a linguagem usada em cerca de 70% dos sites”. Segundo ele, os sites que não forem atualizados rapidamente podem ser invadidos.
Os motivos do atraso na correção
Conforme esclarecimentos divulgados em comunicado oficial, a fragilidade foi apontada inicialmente durante uma auditoria conduzida pela empresa francesa Quarkslab em 2024. No entanto, o processo de reparo sofreu paralisações e retomadas constantes devido a entraves internos na tomada de decisões pela equipe técnica.
Outros fatores determinantes para a lentidão foram a ausência inicial de um método conhecido de exploração para execução remota de comandos e a escassez de profissionais especializados. A fundação destacou que a integridade da linguagem ainda recai sobre os ombros de poucos desenvolvedores financiados por doações e por um grupo reduzido de voluntários.
O papel da inteligência artificial na descoberta
Embora o problema já estivesse no radar da fundação, as falhas também foram mapeadas de forma autônoma pela empresa Calif e pela OpenAI em agosto deste ano. Posteriormente, a companhia de segurança em nuvem Wiz revelou ter achado rotas alternativas de exploração utilizando os modelos de inteligência artificial Gemini 4 Argon, do Google, e GPT-5.6 Sol, da OpenAI.
“Essas descobertas estão entre as vulnerabilidades mais graves descobertas no PHP e, possivelmente, na história do software”, afirmou a Wiz na quarta-feira (21).
“Por mais de uma década, essas vulnerabilidades críticas permaneceram sem resposta porque a descoberta e exploração de vulnerabilidades eram incrivelmente complexas [sem o uso da IA]”, disse a Wiz.
Apesar de a fundação utilizar recursos tecnológicos avançados, como ferramentas de IA baseadas no modelo Claude Mythos, para otimizar a triagem de códigos, a entidade reforça que o discernimento humano ainda é indispensável para desenhar as soluções definitivas.
Fonte: G1 - Política