Crescimento lento e contas públicas desafiam próximo presidente em 2027
A economia brasileira caminha para ser um obstáculo central para o próximo chefe do Executivo, independentemente do resultado das urnas. Quem assumir o cargo em janeiro precisará lidar com a cobrança por equilíbrio fiscal, o endividamento das famílias e um ritmo de atividade desacelerado.
Desafios fiscais e promessas dos candidatos
O endividamento do governo alcançou patamares elevados, pressionando a taxa básica de juros e encarecendo o crédito. Enquanto o plano de Flávio Bolsonaro menciona cortes expressivos de despesas e redução de ministérios, analistas apontam contradições na manutenção de gastos sociais e promessas de baixa arrecadação. Por outro lado, Luiz Inácio Lula da Silva aposta no crescimento da arrecadação para conter o déficit, mas enfrenta desconfiança do mercado devido a novas despesas criadas recentemente.
“Um governo bem-sucedido não vai ser aquele que vai apresentar os melhores números nesses quatro anos, mas aquele que vai conseguir deixar uma economia em condições melhores para crescer nos anos seguintes”, acredita Bruno Imaizumi, economista da consultoria 4intelligence.
Para Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, a urgência de um planejamento fiscal claro é indispensável.
“O problema é que o tempo urge, porque, com esse Congresso que ganhou as eleições — apesar de ser mais à direita, o que, em um cenário de eleição do senador Flávio, poderia ser mais palatável — há outras agendas fora desse ciclo econômico, fiscal, orçamentário, e isso também impõe limitações, sobretudo se não tiver um plano coeso, um plano claro”, diz Salto.
Perspectivas para a atividade econômica
As projeções indicam uma alta moderada do Produto Interno Bruto para o próximo período, influenciada pela redução de estímulos fiscais e por projeções desfavoráveis no setor agropecuário devido a fatores climáticos. Especialistas alertam que medidas tardias podem prolongar a desaceleração ou empurrar o país para uma recessão.
“Não temos, de nenhum dos dois candidatos, propostas ainda bem definidas [de ajuste fiscal], esse é um debate que ficou para depois da eleição, porque todas as propostas passam por redução de despesa, algo que é obviamente impopular”, avalia Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter.
“Se o Flávio ganhar, acontecerá uma frustração para aqueles que acreditaram nesse Flávio novo do segundo turno, que é o Flávio que diz que vai aumentar gastos, que o ajuste dele vai ser de corte de desperdícios, de redução de ministérios, porque a gente sabe que por aí não tem como fazer economia relevante”, acredita Salto.
Custo de vida e endividamento recorde
O poder de compra da população e o alto nível de endividamento continuam no centro das preocupações dos cidadãos. As propostas apresentadas pelos candidatos buscam amenizar o impacto da inflação e facilitar a renegociação de dívidas, embora especialistas apontem que reformas estruturais profundas continuam sendo necessárias para garantir estabilidade a longo prazo.
“Acredito que existe uma diferença do atual governo em relação à Dilma”, diz a economista-chefe do Inter.
“O diagnóstico de que é preciso controlar o crescimento de gasto existe. Naquela época, o diagnóstico era de que gastar mais era bom, você tinha o ‘gasto é vida'”, observa.
“Hoje, desde o [ex-ministro da Fazenda, Fernando] Haddad, mas também sob [o atual ministro, Dario] Durigan, existe um diagnóstico de que ter responsabilidade fiscal é importante para estabilizar preços.”
Fonte: G1 Economia