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Caderno Mercado

Cenário da economia argentina intriga analistas políticos

Cenário da economia argentina intriga analistas políticos

O modelo econômico adotado na Argentina ganhou destaque recente no cenário político brasileiro, servindo como ponto de debate entre lideranças nacionais sobre a viabilidade de medidas voltadas à redução de impostos e burocracia estatal. Contudo, uma análise aprofundada dos indicadores revela um panorama econômico bastante complexo e repleto de contrastes sociais.

Crescimento do PIB e desaceleração inflacionária

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), o Produto Interno Bruto (PIB) argentino registrou alta de 2,3% no primeiro trimestre de 2026 e avançou 2% no segundo trimestre, sempre na comparação com os mesmos períodos do ano anterior.

Apesar do resultado positivo, a economia perdeu fôlego entre abril e junho, período em que o PIB apresentou retração de 0,6% frente aos três meses anteriores. Setores voltados ao mercado interno sofreram quedas expressivas, a exemplo do consumo privado, que recuou 2,4%, e dos investimentos, cuja formação bruta de capital fixo despencou 11,1% em termos anuais.

Desigualdade na recuperação setorial

A expansão econômica tem sido impulsionada principalmente por atividades ligadas ao setor externo e à extração de recursos. No segundo trimestre, a pesca disparou 44,7%, a mineração cresceu 16,4% e a agropecuária avançou 6,9%. As exportações de bens e serviços subiram 13,7%, ao passo que as importações caíram 8,6%.

Em contrapartida, a indústria manufatureira amargou uma queda de 2,1%, refletindo as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo local diante da concorrência externa e da retração da demanda interna.

Impacto no mercado de trabalho e empresas

Os reflexos dessa dinâmica desigual atingem diretamente o mercado de trabalho. No segundo trimestre de 2026, a taxa de desemprego alcançou 7,9%, superando os 7,6% registrados no mesmo intervalo do ano anterior, o que representa aproximadamente 1,8 milhão de pessoas desocupadas nas principais áreas urbanas do país. Além disso, a informalidade segue atingindo cerca de metade da população economicamente ativa.

O ambiente de negócios também demonstra fragilidade. Dados da Superintendência de Riscos do Trabalho apontam que o número de empregadores com funcionários registrados caiu 6,3% entre novembro de 2023 e julho de 2026. Entidades empresariais destacam que o consumo enfraquecido, o encarecimento da energia e a concorrência com produtos estrangeiros — cujas importações de bens de consumo saltaram 34,7% no primeiro semestre — continuam pressionando as pequenas e médias empresas argentinas.

Fonte: G1 Economia