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Caderno Mercado

Ashley St. Clair revela pressão e recusa acordo bilionário de Musk

Ashley St. Clair revela pressão e recusa acordo bilionário de Musk

Ashley St. Clair está cansada de ouvir as pessoas fazerem sempre as mesmas perguntas sobre Elon Musk. “As pessoas me tratam como se eu fosse uma espécie de psicanalista do Elon”, disse durante uma visita ao The New York Times em setembro.

“Querem saber: ‘Como é passar tempo com ele?’ ou dizem: ‘Poucas pessoas passaram algum tempo a sós com ele’.” Ela suspirou. “É irritante e cansativo.”

Não dá para culpá-las por perguntar. St. Clair, ex-influenciadora conservadora, deu à luz um dos filhos de Musk em 2024. Na época, ela já tinha outro filho, de um relacionamento anterior. Neste ano, ela é uma figura central no documentário “Musk”, dirigido por Alex Gibney.

Contexto social e reações “Isso diz respeito a uma podridão mais profunda em nossa sociedade, na qual equiparamos capital a moralidade”, afirmou. “Há um nível de confiança, tanto social quanto individual, que depositamos nas pessoas quando elas têm dinheiro.”

Musk não respondeu aos pedidos de comentário. No entanto, após o TMZ informar que St. Clair recusou um acordo milionário de confidencialidade, o bilionário usou sua plataforma X para negar os fatos. “Isso nunca foi oferecido a ela, que tem um histórico de mentir”, publicou. Musk também criticou a produção de Gibney na mesma rede social.

Bastidores do documentário Alex Gibney, vencedor do Oscar, conheceu St. Clair no final de 2025. “Além da obsessão de Musk por ter filhos, Ashley teve uma visão privilegiada da campanha de 2024 e conseguiu me contar coisas que eu não sabia sobre as motivações de Musk”, relatou o cineasta.

Questionada sobre o filme, St. Clair destacou convergências nos relatos. “O que foi ao mesmo tempo reconfortante e aterrorizante foi a forma como as narrativas se harmonizavam. Eu, Justine [Wilson, primeira esposa de Musk], Sam Harris [o filósofo do Novo Ateísmo] e Geoffrey Hinton [o chamado padrinho da IA] —há muitas semelhanças em nossas experiências com Elon. Acho que, quando se consegue reunir pessoas que nunca conversaram entre si e fazer com que seus relatos formem uma narrativa coerente, isso é a verdade.”

De admiradora a mãe de um filho do bilionário Antes de se envolver com o empresário, ela trabalhava no site The Babylon Bee e cultivava forte presença no Twitter ligada ao movimento MAGA. A aproximação começou por mensagens diretas na rede social e culminou em uma viagem rápida para Providence, em Rhode Island.

Sobre a gestação, ela relatou que a proposta surgiu durante férias em St. Barth no início de 2024. “Você deveria ter dez filhos! Vamos ter um filho. Meu único recurso limitado é o tempo”, disse o bilionário na ocasião.

A proposta do acordo de silêncio Dois meses após o parto, ela recebeu uma minuta de confidencialidade enviada por Jared Birchall, gestor financeiro de Musk, por meio de uma mensagem temporária no aplicativo Signal. Os termos proibiam qualquer menção pública ao bilionário ou à relação, estendendo-se aos herdeiros. A oferta inicial mencionada foi de pagamento único de US$ 15 milhões e mais US$ 100 mil mensais por 21 anos — valor bem abaixo dos US$ 40 milhões ventilados pela imprensa.

“Para mim, era mais uma questão moral do que jurídica. Disse a Jared que não poderia assinar, e ele respondeu: ‘ Por quê? Parece que você quer usar sua liberdade de expressão como arma’. Eu disse a ele que a dignidade dos meus filhos não é mercadoria.”

Ruptura política e reflexão O afastamento do conservadorismo norte-americano ocorreu de forma gradual. A ex-influenciadora reconhece os impactos de sua antiga atuação pública, marcada por discursos controversos.

“Minha única função, depois de anos de propaganda e desonestidade e de quase uma década de envolvimento com o MAGA, é ser honesta e dar o exemplo aos meus filhos. Minha função não é criar uma nova narrativa sobre mim mesma. Minha única função é prestar contas”, concluiu.

Fonte: Folha - Mercado