Meta lança óculos inteligentes sem câmera após polêmicas de privacidade
A Meta apresentou uma nova versão de seus óculos inteligentes voltada exclusivamente para áudio, batizada de Ray-Ban Meta Audio, na tentativa de mitigar preocupações com a privacidade após polêmicas envolvendo o modelo original lançado em 2023.
Polêmicas e banimentos Desde o lançamento inicial em parceria com a Ray-Ban, o dispositivo enfrentou fortes críticas e episódios de assédio, com relatos de mulheres e meninas filmadas sem consentimento. O problema de imagem levou à proibição dos acessórios em locais como pubs no Reino Unido, teatros, escolas e até em uma base da Marinha britânica que abriga submarinos nucleares.
O novo modelo sem câmera traz funções de áudio para chamadas e reprodução de música direcionada aos ouvidos, além de ser mais leve, ter maior autonomia de bateria e preço inferior. Questionado se o produto poderia superar as vendas da versão original, o chefe de produtos da Meta Glasses, Ankit Brahmbhatt, adotou cautela: “Temos, eu acho, algo para todos”.
Utilidade e contraste de opiniões Enquanto defensores da privacidade celebram a novidade como um sinal positivo, outros questionam se a medida representa uma mudança real na visão das gigantes tecnológicas. Especialistas apontam que as câmeras continuam sendo fundamentais para coletar dados visuais que alimentam os sistemas de inteligência artificial.
Apesar das controvérsias, os óculos com câmera encontraram utilidade em nichos específicos, como entre pessoas com deficiência visual — um usuário classificou o recurso como “revolucionário” para descrições de locais e leitura de cardápios. A comunidade de criadores de conteúdo e profissionais de diversas áreas também tem explorado o potencial prático do dispositivo.
Reações e o futuro do mercado A reação pública negativa resultou em petições por regulamentações urgentes e até no desenvolvimento de aplicativos voltados para identificar os aparelhos nas proximidades. A empresária de tecnologia Liz Hunter criticou duramente o produto: “Eles nunca, nunca deveriam ter deixado o laboratório com a Meta”. Ela acrescentou que o lançamento representa “uma verdadeira paródia de confiança pública, de igualdade das mulheres, e reverteu nosso direito à privacidade bem diante dos nossos olhos.”
Outras empresas do setor continuam investindo no segmento, com iniciativas que vão desde modelos concorrentes até novos mecanismos de segurança, como recursos de voz para interromper gravações. Para analistas do mercado de tecnologia, o setor caminha para a consolidação de novas regras de convivência, comparando o momento atual à introdução das câmeras em telefones celulares nos anos 2000.
Fonte: G1 Economia