Eleições nos Estados Unidos transformam consumo de carne bovina em arma política
Nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, a carne bovina virou tema central de debates políticos, com democratas e republicanos disputando quem demonstra maior apreço pelo alimento em meio a discussões sobre inflação e geopolítica.
A disputa no Mississippi O exemplo mais recente ocorreu no Mississippi, onde o candidato democrata ao Senado Scott Colom usou um trecho de vídeo da senadora republicana Cindy Hyde-Smith. Na gravação original, a atual ocupante do cargo afirmou que, se os consumidores estão insatisfeitos com os altos preços da carne bovina, “há muitas outras opções de proteína para escolher”.
A resposta da oposição veio em seguida na mesma peça publicitária, mostrando um homem preparando hambúrgueres na churrasqueira e declarando: “Escolher outra proteína? Eu prefiro escolher outro senador.”
Estratégias eleitorais e estereótipos culturais Enquanto o caso do Mississippi mostra um democrata atacando uma republicana pelo custo da carne, a dinâmica costuma ser inversa no restante do país. Partidos conservadores frequentemente retratam adversários como veganos ou opositores da pecuária, tentando associá-los a um estilo de vida distante das tradições locais e da pecuária.
No Texas, adversários políticos resgataram uma declaração de 2022 em que o democrata James Talarico, atual candidato ao Senado, celebrava a decisão de sua campanha de substituir produtos de origem animal por itens veganos de comércios locais. Para neutralizar o desgaste, Talarico passou a ser visto publicamente comendo churrasco para provar sua afinidade com a cultura texana.
Polêmicas no Colorado No Colorado, o alvo dos ataques republicanos é o candidato democrata ao Congresso Manny Rutinel, criticado por seu histórico de ativismo contra a pecuária industrial. Registros fotográficos da época da faculdade mostram Rutinel com uma faixa da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA).
Além disso, em 2021, o político fundou a Climate Refarm, entidade voltada à diminuição do consumo de carne, assinou documentos favoráveis à taxação de produtos derivados de carne e laticínios, e apoiou uma iniciativa de 2024 para banir um abatedouro em Denver — medida que acabou rejeitada pelos eleitores.
A disputa ocorre no 8º distrito congressional do Colorado, região marcada pela forte presença de fazendas, ranchos e indústrias frigoríficas, incluindo a sede da JBS Swift. Diante das críticas do grupo conservador Daily Wire, que divulgou imagens ocultas apontando que o candidato consome carne “o mínimo possível”, Rutinel tem intensificado aparições comendo tacos e buscado o respaldo do sindicato dos frigoríficos.
“Não acho que os moradores do Colorado se importem com o que está no meu prato”, afirmou ele em entrevista após uma recente parada de campanha. “Acho que eles se importam mais em conseguir pagar pelo que está no prato deles.”
O republicano Gabe Evans, seu principal oponente na disputa, argumenta que o debate transcende o cardápio pessoal.
“Não me importo com o que ele come pessoalmente”, declarou Evans em entrevista. “Importa-me que ele queira usar o poder do governo para fazer todo mundo comer dessa forma.”
A polarização em torno dos hábitos alimentares evidencia como o estilo de vida e a economia se fundem nas estratégias partidárias para mobilizar o eleitorado norte-americano.
Fonte: G1 Economia