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Caderno Mercado

Inteligência artificial já é realidade em guerras pelo mundo

Inteligência artificial já é realidade em guerras pelo mundo

O debate sobre os riscos existenciais da inteligência artificial não tem freado o avanço dos robôs em cenários de conflito real, transformando em realidade os temores sobre tecnologias militares autônomas.

Investimentos militares em IA Os aportes financeiros em infraestrutura e sistemas bélicos autônomos atingiram patamares sem precedentes. Nos Estados Unidos, o governo solicitou ao Congresso cerca de R$ 1 trilhão para o setor no ano fiscal de 2027, um salto de 45% em relação ao ciclo anterior. Desse total, o Grupo de Guerra Autônomo viu sua verba saltar de R$ 1 bilhão para impressionantes R$ 285 bilhões.

Essa corrida por armamentos inteligentes enfrenta resistência de algumas empresas do setor e diverge de cortes pontuais, como o cancelamento pelo Pentágono de um acordo de R$ 1 bilhão com a Anthropic envolvendo o uso da IA Claude.

Inovação na aviação militar Na ponta tecnológica, fabricantes como a sueca Saab já integram inteligência artificial em caças como o Gripen, permitindo o controle de manobras e simulações de ataques de longa distância. Outras potências, incluindo França, Rússia, China e Estados Unidos, testam algoritmos de assistência a pilotos, drones integrados e mísseis balísticos autônomos.

“Oficiais de ética são o futuro, no fim você precisa colocar um humano no jogo. A tecnologia pode fazer o que quiser”, diz Peter Nilsson.

Nilsson é o chefe da divisão de armas avançadas da Saab. O piloto Marcus Wandt, chefe da divisão de Aeronáutica da empresa, também relatou surpresa ao testar os sistemas: “Eu vi ele [o agente de IA] fazer manobras que nunca tinha visto”, afirma.

O futuro dos combates e os riscos atuais O projeto de um drone supersônico da Saab, pensado para atuar subordinado a um caça e executar ordens táticas com liberdade, ilustra o novo patamar da indústria. Contudo, há limites estritos na programação.

“Se liberar, não tem como controlar o ‘loyal wingman'”, diz Wandt, em referência ao parceiro leal, apelido no setor para esse tipo de drone.

Enquanto a singularidade — momento em que a máquina pensará e aprenderá de forma exponencial — é debatida por cientistas, a automação já opera nas linhas de frente da Guerra da Ucrânia e em confrontos navais. O cenário atual já registra simulações preocupantes onde IAs decidiram eliminar operadores ou priorizar o uso de armas nucleares.

“A única certeza que temos é que lidamos com a incerteza”, resume de forma socrática o sueco Nilsson.

Fonte: Folha - Tecnologia