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Caderno Mercado

Cartas de Pokémon movimentam mercado milionário impulsionado por nostalgia

Cartas de Pokémon movimentam mercado milionário impulsionado por nostalgia

O mercado de cartas colecionáveis de Pokémon tem atraído tanto entusiastas movidos pela nostalgia quanto investidores de olho na valorização dos produtos. O que começou como uma febre infantojuvenil nos anos 1990 virou um ecossistema global que movimenta bilhões de reais.

A expansão do mercado global e nacional De acordo com levantamentos da The Pokémon Company, a produção global ultrapassou a marca de 85 bilhões de cartas até março de 2026. No Brasil, os produtos são distribuídos pela Copag, enquanto o interesse online disparou, registrando buscas 60% superiores nos últimos anos em comparação ao período anterior.

Além disso, o faturamento do setor de cartas colecionáveis não esportivas disparou 350% entre 2020 e 2025 nos Estados Unidos, conforme dados da Circana. A popularidade também ganhou força com aparições em redes sociais e transmissões ao vivo comandadas por personalidades conhecidas.

O peso das memórias de infância Muitos adultos que acompanharam o lançamento da franquia na infância decidiram retomar o hobby, buscando coleções completas e itens lacrados de épocas passadas. É o caso de Éric Fenalte, que comprou caixas antigas na década passada e hoje observa uma forte valorização desses artigos.

“Eu quero preservar a coleção. São itens que, mesmo tendo o dinheiro para comprar, eu não vou achar”, explica. Fenalte também avalia tiragens e características de novos produtos na expectativa de que ganhem valor com o tempo. “Tem coleção que lança e eu sei que vai valorizar. De modo geral, tudo no Pokémon acaba valorizando”, diz.

Leilões milionários e cuidados na avaliação No topo do mercado de raridades, os preços atingem patamares extraordinários. Em fevereiro deste ano, uma carta conhecida como Pikachu Illustrator, datada de 1998, foi arrematada por US$ 16,5 milhões — equivalente a R$ 86 milhões na cotação da época. O exemplar havia sido comprado anteriormente pelo influenciador americano Logan Paul.

Para garantir a autenticidade e o preço de peças valiosas, empresas especializadas como a Manafix realizam análises detalhadas de conservação. Pequenos defeitos na superfície ou nas bordas podem alterar drasticamente a avaliação do item.

Riscos e cautela com investimentos Apesar dos lucros expressivos de alguns colecionadores, especialistas alertam que o mercado exige cautela. A educadora financeira Cássia D’Aquino destaca que adquirir cartas apostando na revenda difere de uma aplicação financeira tradicional, pois depende do interesse futuro de terceiros e da liquidez do bem.

Diogo Pires, cofundador da Liga Pokémon que vendeu parte de seu acervo antigo por US$ 20 mil em 2018 para ajudar na compra de uma casa, faz uma ponderação importante sobre o cenário. “Eu comecei a pensar que ter esse monte de coisa em casa é um risco, porque vale muito dinheiro. Foi mais por segurança mesmo”, afirma. Ele reforça que o sucesso financeiro com os itens envolveu uma dose de imprevisibilidade: “Então, guardar uma carta não significa necessariamente que ela vai aumentar o preço. Eu dei a sorte de colecionar algo que valorizou”, conclui.

Fonte: Folha - Mercado