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Caderno Mercado

Citi e Bank of America limitam acesso de IA a contas de clientes

Citi e Bank of America limitam acesso de IA a contas de clientes

Grandes instituições financeiras dos Estados Unidos, incluindo o Citigroup e o Bank of America, decidiram impor restrições ao uso de assistentes de inteligência artificial nas contas de seus correntistas. A movimentação ocorre em meio a alertas enviados aos órgãos reguladores sobre o risco de ferramentas autônomas esvaziarem depósitos ao migrar valores ociosos em busca de melhores taxas de retorno.

Preocupações com a segurança dos correntistas

O Citi declarou publicamente que não permitir que “agentes ou assistentes de IA de terceiros acessem a conta de um cliente ou realizem transações diretamente em nossas plataformas bancárias digitais”. A empresa justificou a decisão como uma medida essencial para blindar os dados e o patrimônio do público.

De forma similar, Brian Moynihan, dirigente do Bank of America, confirmou o bloqueio temporário aos depósitos de pessoas físicas enquanto o setor debate a responsabilidade jurídica sobre pagamentos aprovados por algoritmos. “Acreditamos firmemente que deve haver uma pessoa envolvida para autorizar a saída de dinheiro da sua conta”, declarou Moynihan à emissora de televisão CNBC na quarta-feira (14).

O executivo também acrescentou: “Estamos trabalhando com os fornecedores de agentes autônomos para dizer: ‘Olha, vocês realmente não vão querer que os consumidores voltem e digam que o dinheiro saiu da minha conta, que eu não sei por quê nem para onde foi, e que foi o agente que fez isso’”.

O impacto das ferramentas de tecnologia no setor

O alerta em torno dessa tecnologia ganhou força após o lançamento, em setembro, de assistentes pessoais avançados focados em finanças. Relatórios elaborados por analistas de mercado ressaltaram que a automatização poderia direcionar automaticamente o capital familiar para opções com maior rentabilidade, deixando para trás as contas correntes tradicionais.

Grandes conglomerados acumulam trilhões em depósitos sem remuneração expressiva. Caso os correntistas passem a adotar robôs em larga escala para capturar juros maiores, a lucratividade das corporações pode despencar drasticamente.

“Se todas as famílias usassem agentes de IA para maximizar o rendimento de seus saldos em dinheiro, os bancos poderiam perder uma grande parcela dos depósitos de baixo custo dos quais dependem para conceder empréstimos, o que seria um problema para todo o sistema financeiro”, avaliou Torsten Slok, economista-chefe da Apollo.

Reação de Wall Street e dos reguladores

Diante desse cenário, lideranças bancárias dialogaram com autoridades do Federal Reserve para relatar os riscos operacionais decorrentes da expansão dessas tecnologias. Nos bastidores, as agências reguladoras viram os bloqueios com bons olhos, indicando que o tema exige novas diretrizes legais sobre responsabilidade financeira.

O JPMorgan Chase adotou postura semelhante. Jamie Dimon, presidente-executivo do banco, afirmou nesta semana que o banco restringiria o acesso de agentes de IA às contas dos clientes “porque ninguém quer agentes desonestos, e pode haver milhares deles”.

Dimon pontuou ainda: “Precisamos garantir que estamos protegendo nossos clientes da maneira correta. Por isso, também estamos desenvolvendo ferramentas para isso”, comentou Dimon em uma teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre do banco. “Enquanto isso, não permitiremos que qualquer agente externo simplesmente entre na empresa, porque isso é arriscado demais para os clientes e para o JPMorgan”.

Especialistas apontam que as corporações precisarão repensar seus modelos de retenção. Para Christoph Stegmeier, sócio sênior da consultoria Simon-Kucher, o desafio exigirá novas estratégias de fidelização. “É preciso tornar seus produtos de depósito mais capazes de reter os clientes”, analisou.

Fonte: Folha - Mercado