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Caderno Mercado

Primeira-dama da Colômbia rejeita desvios em doações após terremoto

Primeira-dama da Colômbia rejeita desvios em doações após terremoto

A primeira-dama da Colômbia rejeitou nesta sexta-feira qualquer acusação de irregularidade na administração de recursos voltados para a reestruturação de regiões afetadas por um forte abalo sísmico ocorrido em agosto. Durante a apresentação oficial de um balanço financeiro, a esposa do chefe do Executivo detalhou a movimentação das contribuições direcionadas à sua instituição filantrópica.

Gestão de fundos milionários

Comandada por Ana Lucía Pineda, casada com o presidente de direita Abelardo de la Espriella, a organização sem fins lucrativos gerencia uma parcela significativa dos donativos privados voltados para amparar as famílias prejudicadas pelo sismo de 7,4 graus de magnitude. Enquanto isso, críticos e moradores locais apontam que o suporte ainda não alcançou as zonas ocidentais mais castigadas, cujos prejuízos materiais são avaliados em aproximadamente 9,5 bilhões de dólares.

Em meio aos questionamentos, a dirigente defendeu a transparência do trabalho realizado pela entidade. “Não há nada a esconder, não preciso ficar nem com um grão de arroz de ninguém”, afirmou Ana Lucía, em entrevista à Telecaribe.

O relatório divulgado pela instituição Luz y Sonrisas aponta que o montante acumulado já ultrapassa 17 milhões de dólares. Contudo, o documento não especifica a natureza exata dos mantimentos distribuídos e tampouco pormenoriza a alocação dos valores financeiros destinados às zonas onde dezenas de milhares de moradias, colégios e unidades de saúde foram destruídas.

Críticas da oposição e balanço humanitário

Apesar do balanço apresentado, parlamentares contrários ao governo mantêm ceticismo em relação aos dados divulgados pela primeira-dama, cobrando um detalhamento rigoroso sobre a origem e o destino do capital arrecadado. O opositor Alejandro Ocampo, vice-presidente do Senado, questionou os números apresentados pela fundação de Ana Lucía e pediu que se esclareça “quanto dinheiro foi recebido, quem o entregou, em quais contas ele foi depositado e quanto foi usado”.

Em sua defesa sobre a retenção da verba monetária, a dirigente argumentou que o montante em caixa permanece guardado para uma etapa posterior dos trabalhos. “Não usamos esses recursos porque a ajuda humanitária foi suficiente”, afirmou a primeira-dama, justificando que a reserva financeira será aplicada nos próximos passos da reconstrução.

O desastre natural resultou em mais de 330 óbitos e demoliu mais de 30.000 moradias em território colombiano. Conforme os dados repassados pela fundação, foram distribuídas 5.600 toneladas de mantimentos e água potável, alcançando um total de oito departamentos afetados pela tragédia.

Fonte: Mundo