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Caderno Mercado

STF vê Lei da Dosimetria como alternativa para pena de Bolsonaro

STF vê Lei da Dosimetria como alternativa para pena de Bolsonaro

Um grupo de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) articula pautar logo após o período eleitoral as ações que tratam da Lei da Dosimetria. A análise da matéria jurídica surge nos bastidores como um atalho estratégico para solucionar a situação penal do ex-presidente Jair Bolsonaro, reduzindo o tempo de cumprimento de sua sentença sem a necessidade de anular o veredito por completo.

Como a Lei da Dosimetria afeta o ex-presidente

Promulgada pelo Congresso Nacional em 2025 após a derrubada parcial do veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a legislação modificou dispositivos da Lei de Execução Penal e do Código Penal. O texto trouxe regras mais brandas de remição de pena e novos critérios para a progressão de regime em condenações ligadas a crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Atualmente em regime de prisão domiciliar após ter sido condenado a 27 anos e três meses de reclusão pelos episódios relacionados à trama golpista de 8 de janeiro de 2023, Bolsonaro poderia ter um abatimento calculado entre 2 anos e 5 meses a 3 anos em sua punição, segundo projeções elaboradas por sua defesa técnica.

Magistrados da Corte avaliam que existe maioria consolidada no plenário para chancelar a norma — admitindo eventuais modulações e ajustes —, o que contemplaria tanto o ex-chefe do Executivo quanto outros aliados e réus envolvidos nos atos antidemocráticos.

O entrave para julgar as regras no plenário

Apesar do ambiente favorável à legislação, a aplicação prática das regras permanece travada. Em maio, o relator dos questionamentos no STF, ministro Alexandre de Moraes, concedeu liminar suspendendo os efeitos da lei até uma deliberação definitiva dos onze ministros.

Em junho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se de forma contrária à suspensão temporária, sustentando que, em análise preliminar, não observou desvio de finalidade na edição do texto legislativo. Para que o julgamento presencial ocorra, resta a liberação do processo pelo próprio relator e o posterior agendamento da pauta pelo presidente do tribunal, ministro Edson Fachin.

Resistência à anulação total pela via da revisão criminal

Paralelamente ao debate legislativo, o ministro Kassio Nunes Marques pretende submeter ao plenário, após o segundo turno do pleito municipal, os pedidos de revisão criminal ajuizados pela equipe jurídica de Bolsonaro. Relator dessas ações, o ministro tem pontuado a necessidade de enfrentar o mérito do tema no colegiado.

No entanto, a ala majoritária do tribunal enxerga pouca viabilidade em reverter integralmente o veredito. A revisão criminal é um instrumento extraordinário, restrito à comprovação inequívoca de erros judiciais ou à apresentação de elementos comprobatórios inéditos. Reverter a decisão implicaria derrubar o entendimento outrora estabelecido pela Primeira Turma, que aplicou a condenação inicial aos envolvidos nos atos golpistas.

A mais recente petição protocolada pela defesa sustenta fragilidades na cadeia de custódia das provas digitais periciadas no processo e cita declarações ocorridas no desdobramento de apurações ligadas ao caso Master. Essa solicitação aguarda o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que já havia orientado o Supremo a rejeitar o primeiro pleito revisional por falta de fatos novos.

Fonte: G1 - Política