Ministra do TSE que proibiu Globo de exibir púlpito vazio já declarou voto em Lula

A ministra Estela Aranha, integrante do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ganhou destaque nacional após proibir a TV Globo de exibir o púlpito destinado a ausências em um debate presidencial. Contudo, registros em vídeo mostram que a magistrada já manifestou publicamente seu apoio ao atual chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva.

Histórico de apoio político

O registro audiovisual teria ocorrido durante o segundo turno das eleições de 2022, período em que Lula disputava o comando do país contra Jair Bolsonaro (PL), cujo filho, Flávio, desponta atualmente como principal opositor do petista na corrida presidencial. Embora a data exata da captura não tenha sido verificada, o conteúdo passou a circular amplamente em páginas e perfis ligados à direita política na internet.

“Voto em Lula no segundo turno. Eu voto 13 porque, como advogados, nós não temos outra opção que não seja o Lula para a gente estancar o aumento do autoritarismo, para a gente defender o Estado democrático de Direito e a democracia no país”, diz Estela na gravação. “Então, os advogados devem votar em Lula, inclusive para salvar o próprio sistema de Justiça.”

Contexto do cancelamento na emissora

A divulgação do vídeo ocorreu logo após a emissora decidir pelo cancelamento do evento. A medida do canal de televisão veio na sequência de uma ordem expedida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), permitindo a participação do candidato Renan Santos (Missão), somada à desistência prévia de Flávio Bolsonaro.

Por meio de suas redes sociais, Flávio justificou sua ausência afirmando que decidiu não comparecer “em função da censura imposta ao evento pelo TSE”. Questionada pela reportagem, a magistrada preferiu não se pronunciar sobre a gravação que circula na rede.

Perfil e atuação no governo

Formada em direito pela Universidade de São Paulo (USP), Estela Aranha é apontada pelo TSE como uma “referência nacional e internacional em direitos digitais, regulação de tecnologias emergentes e inteligência artificial”. Sua nomeação para a corte eleitoral ocorreu em julho de 2025, por decreto de Lula, ocupando uma vaga reservada à classe dos juristas com mandato bienal iniciado em agosto daquele ano.

Antes de integrar o tribunal, a jurista passou pela administração federal. Ela exerceu o cargo de secretária nacional de Direitos Digitais no Ministério da Justiça e Segurança Pública durante a gestão de Flávio Dino, além de atuar na Presidência em pautas voltadas à inteligência artificial e cooperação internacional. No mesmo ano de sua posse no TSE, também prestou assessoria à presidência da própria corte eleitoral.

Conforme articulações de bastidores, Dino atuou diretamente para viabilizar a indicação da atual ministra ao tribunal. Ela integrou a lista tríplice formada apenas por mulheres, encaminhada ao Palácio do Planalto pela então presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, contando também com o respaldo do dirigente petista Edinho Silva.

Ao longo de sua trajetória profissional, a advogada participou de importantes órgãos de classe e debates legislativos. Integrou a Comissão Especial de Proteção de Dados nos âmbitos federal e carioca da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), compôs o Conselho Consultivo de Alto Nível da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Inteligência Artificial e colaborou em comissões no Senado voltadas à regulamentação tecnológica e à revisão do Código Civil.

Fonte: Política – Folha

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