A poucas horas do primeiro turno da eleição presidencial, a equipe do candidato Luiz Inácio Lula da Silva adotou um tom de otimismo embasado nos números recentes do instituto Datafolha. O foco principal da estratégia petista passou a ser a conquista dos eleitores indecisos, um grupo que representa apenas 2% no cenário estimulado, mas salta para 13% na modalidade espontânea.
Estratégias eleitorais na reta final Enquanto o QG petista mede cada passo para convencer a parcela flutuante do eleitorado, os aliados do partido divergem sobre a eficácia dos rumos adotados. Uma ala avalia que a guinada para expor suspeitas contra o adversário encontrou seu eixo de comunicação. Por outro lado, membros da mesma campanha admitem que a mensagem ainda encontra dificuldades para engajar o público na última hora.
A disputa pelo voto útil na direita Em contrapartida, o principal oponente na disputa, o senador Flávio Bolsonaro, encontrou nas recentes decisões judiciais — que culminaram no cancelamento do debate televisionado — um combustível para reivindicar o voto útil dos eleitores de outros nomes do campo conservador, como Augusto Cury e Ronaldo Caiado. A avaliação da campanha é transformar o desgaste institucional em um protesto nas urnas.
Repercussão e críticas às cortes superiores O cancelamento ocorreu após determinações do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal que geraram forte reação do candidato do PL. Em transmissão ao vivo realizada no mesmo horário em que estaria no programa televisivo, o senador classificou os episódios como censura.
“A censura no seu mais alto grau, transparente e sem vergonha que vocês já viram nos últimos tempos”, disse durante uma live feita para substituir a transmissão do debate.
“Lula não só não vai ao debate como ele usa os seus amigos no Judiciário para impor a censura ao debate da Rede Globo. É muito triste, revoltante, o que está acontecendo”, completou o candidato.
Apelo por decisão no primeiro turno Ainda na mesma transmissão, o parlamentar intensificou o apelo para liquidar a fatura já na etapa inicial do pleito, utilizando o episódio para mobilizar apoiadores que cogitavam a abstinência.
“Me dê seu voto de revolta. Me dê seu voto inteligente já no primeiro turno”, apelou o candidato.
“Vamos resolver essas eleições agora neste domingo. Se você estava pensando em não votar, se você está pensando que essa eleição não é tão importante, olha a gravidade do que está acontecendo. A única chance de o Brasil voltar a ter uma democracia é com Flávio Bolsonaro presidente. E não vamos parcelar seu voto em duas vezes, vamos votar de uma vez só neste domingo”, finalizou.
A avaliação da coordenação liberal Para a cúpula da campanha situada à direita, as intervenções recentes do Judiciário revelam receio diante do crescimento nas urnas. O coordenador da campanha do senador, Rogério Marinho, reforçou publicamente o discurso de que o processo eleitoral estaria sob viés político.
Coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho afirmou que o Judiciário mostrou parcialidade e preferência por um candidato. “A democracia está em risco, o sistema está com medo”, publicou.
Com o cenário ainda em aberto e a preocupação latente com fatores logísticos, como a previsão de chuvas e taxas de abstenção, analistas e políticos do centrão projetam uma disputa acirrada, com tendência de vantagem para o atual presidente na contagem inicial deste domingo.
Fonte: Política – Folha













