Aliado de Moraes pede no Senado o impeachment de três ministros do STF
O deputado federal Paulinho da Força (SP), que preside o Solidariedade, protocolou no Senado pedidos de impeachment contra os ministros do STF André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Os magistrados são opositores do ministro Alexandre de Moraes, de quem o parlamentar é aliado político.
Ações no Senado e no TSE
Os documentos contra Nunes Marques e Mendonça foram formalizados em uma terça-feira, mesma data em que o deputado pediu ao ministro Flávio Dino o afastamento de ambos de funções de fiscalização de propaganda no TSE. Naquela corte, eles ocupam os postos de presidente e vice-presidente responsáveis pelo acompanhamento das eleições. O pedido de impeachment contra Mendonça, por sua vez, havia sido apresentado anteriormente, em 24 de setembro. Na qualidade de relator do caso Master, o ministro tem liderado uma ofensiva contra Alexandre de Moraes devido aos laços do colega com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Exigências constitucionais e barreiras políticas
Embora o afastamento de magistrados da Suprema Corte seja uma atribuição exclusiva do Senado, a lei permite que qualquer cidadão apresente petições apontando crimes de responsabilidade. Para avançarem, os requerimentos precisam passar pelo despacho do presidente da Casa e alcançar o voto favorável de 54 dos 81 senadores. Atualmente, o senador Davi Alcolumbre (União-AP) tem mantido travadas as iniciativas de destituição contra membros do tribunal.
Acusações contra André Mendonça
Em sua argumentação, Paulinho sustenta que Mendonça cometeu crime de responsabilidade ao adotar uma postura parcial e com “direcionamento político-eleitoral”, além da “criação de eventos processuais que possam favorecer o grupo político com quem ele tem ligação”. O dirigente partidário menciona ainda um repasse de R$ 5 milhões da Cedro Participações, pertencente ao empresário Lucas Kallas — apontado como sócio de Vorcaro —, para o Instituto Iter, ligado a Mendonça. O texto também destaca conversas do banqueiro sobre reuniões com o magistrado e decisões benéficas ao grupo financeiro.
Citados no caso Fux
O pedido direcionado a Luiz Fux aponta que o ministro estaria impedido de continuar julgando o caso Master, argumentando suspeição e conduta “incompatível com a honra, dignidade e decoro do cargo”. A peça resgata interações de Rodrigo Fux, filho do magistrado, com Vorcaro em novembro de 2024, período em que o banqueiro buscou o advogado na iminência de um julgamento.
“Diferentemente da proatividade investigativa demonstrada pelo ministro André Mendonça contra seu desafeto, Alexandre de Moraes, na véspera das manifestações do 7 de setembro, não houve providência alguma em relação aos fatos envolvendo a família Fux”, afirmou Paulinho da Força.
O deputado acrescentou sobre o desfecho do processo: “Somente em junho de 2026, quando Vorcaro já estava preso, Fux votou contrariamente ao pedido, acompanhando os demais ministros, em decisão unânime”.
Investigação sobre Nunes Marques
No caso de Kassio Nunes Marques, o líder partidário incluiu registros de conversas atribuídas a Vorcaro sobre o financiamento de hospedagens de luxo e eventos voltados ao ministro. A denúncia aponta ainda o suposto repasse de R$ 500 mil a Kevin Marques, advogado e filho do atual dirigente do tribunal eleitoral.
Contexto das articulações políticas
Conhecido por sua proximidade com Alexandre de Moraes, Paulinho da Força atuou diretamente na articulação do projeto sobre os atos de 8 de Janeiro. Na ocasião, o parlamentar conduziu a elaboração de um texto alternativo em consonância com o magistrado e demais integrantes da corte para evitar a anistia ampla, resultando na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de reclusão. Embora tenha negado publicamente a interferência direta de Moraes na redação da proposta, aliados indicam nos bastidores que o diálogo serviu para blindar a medida contra eventuais vetos do próprio Supremo.
Fonte: Política - Folha


