Softbank busca US$ 100 bilhões no Oriente Médio para investir em inteligência artificial
O bilionário Masayoshi Son, fundador do SoftBank, está em articulação com autoridades e executivos de alto escalão no golfo Pérsico, incluindo passagens pelos Emirados Árabes Unidos, para levantar até US$ 100 bilhões. O objetivo da gestora é obter novo poder de fogo financeiro para sustentar sua estratégia agressiva no setor de inteligência artificial, mercado no qual o empresário japonês já se consolidou como um dos principais defensores globais.
Estratégia de aquisições e foco em robótica
Caso as negociações avancem, o capital captado na região servirá para a criação de um fundo voltado à aquisição de empresas. A ideia central é aplicar inteligência artificial e outras inovações avançadas para otimizar as operações desses negócios comprados. A divisão Roze, especializada em robótica e IA física, deverá exercer um papel de destaque nessa estrutura, com planos de abertura de capital futura avaliada em patamares elevados.
A movimentação financeira ocorre em meio a desafios no mercado, como o adiamento da oferta pública inicial de ações da OpenAI e questionamentos de investidores sobre a alta exposição da companhia japonesa ao setor. A Anthropic, principal concorrente da criadora do ChatGPT, também se prepara para movimentar o mercado com uma possível IPO de grande porte.
Histórico de parcerias e contexto no Oriente Médio
Países do golfo Pérsico têm direcionado recursos expressivos para a inteligência artificial como parte de suas agendas de diversificação econômica, reduzindo a dependência histórica de combustíveis fósseis como o petróleo. Abu Dhabi emergiu como um dos polos mais ativos nessa frente, impulsionado por estruturas como o fundo MGX e a holding G42.
Historicamente, Son já recorreu a parceiros da região para financiar grandes empreendimentos, a exemplo dos aportes da Mubadala e do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita no primeiro Vision Fund, lançado em 2017. Para bancar seus projetos recentes, o conglomerado tem utilizado uma combinação de empréstimos garantidos pela participação na fabricante de chips Arm, emissão de títulos de alto risco e recursos próprios.
Desafios regulatórios e visão sobre o setor
O empresário mantém uma postura firme diante dos céticos da tecnologia. Em julho, ele declarou que “aqueles que condenam a IA estão cuspindo para cima”. No entanto, o fundador reconheceu posteriormente que a ferramenta, caso utilizada por agentes “mal-intencionados”, pode “se tornar extremamente perigosa”.
As oscilações recentes nas avaliações de empresas como a OpenAI geram debates entre analistas sobre os reflexos na saúde financeira do conglomerado. Apesar da queda recente nas ações em relação ao pico de junho, a relação entre empréstimos e ativos do SoftBank permanece em patamares considerados seguros pela diretoria, que reforça que flutuações de curto prazo não alteram o planejamento estratégico de longo prazo.
Fonte: Folha - Tecnologia