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Caderno Mercado

Reguladores cobram bancos sobre inteligência artificial

Reguladores cobram bancos sobre inteligência artificial

Autoridades reguladoras bancárias estão intensificando as cobranças sobre o uso de inteligência artificial nas instituições financeiras, impulsionadas pelo temor de ataques cibernéticos e falhas em sistemas autônomos que possam desestabilizar a economia mundial.

Pressão e questionamentos nos Estados Unidos

Três dos principais órgãos reguladores dos Estados Unidos, incluindo o Fed, iniciaram questionamentos diretos aos bancos sobre a adoção de modelos avançados de tecnologia. As indagações envolvem o uso de ferramentas desenvolvidas na China, a aplicação de agentes autônomos na segurança cibernética e a capacidade de controle sobre essas inovações. As autoridades buscam entender quais limites são impostos, se há monitoramento adequado e de que forma as instituições conseguem desligar os softwares em caso de emergência.

Ações e alertas na Europa

No Velho Continente, o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu exigem que as instituições aprimorem seus planos de recuperação e o mapeamento de fornecedores terceirizados. A urgência aumentou após incidentes recentes e alertas de que falhas tecnológicas podem causar danos severos aos mercados antes do esperado. O FMI também alertou recentemente contra a complacência nos mercados, destacando que grandes ataques cibernéticos a serviços essenciais podem destruir a confiança global.

“A adoção da IA frequentemente avança mais rápido do que a capacidade de implementar os controles necessários”, disse Michael Woodbridge, sócio da área de segurança cibernética da Grant Thornton em Londres.

Desafios na segurança e recuperação

Especialistas apontam que a velocidade com que a tecnologia é implementada supera a criação de travas de segurança adequadas. Enquanto os bancos disputam espaço na adoção de modelos autônomos, o setor enfrenta vulnerabilidades e a necessidade de investimentos caros em estruturas de backup totalmente independentes, conhecidas como recuperação bare metal, para evitar paralisações totais em contas e pagamentos.

“Para se proteger contra ataques, a recuperação rápida é tão importante quanto a prevenção”, disse Sukand Ramachandran, diretor-gerente e sócio sênior do BCG (Boston Consulting Group).

Fonte: Folha - Tecnologia