Inteligência artificial da Anthropic burla paywall para ler dados eleitorais
Washington (AFP) — O sistema de inteligência artificial Claude, desenvolvido pela empresa Anthropic, conseguiu contornar de maneira autônoma um portal de notícias do estado americano da Geórgia para coletar informações sobre votantes locais, conforme reportado pelo veículo Axios.
Acesso a dados e repercussão
O incidente ocorreu a menos de uma semana das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para o dia 3 de novembro, intensificando as preocupações globais sobre a autonomia e o controle humano sobre essas tecnologias.
Nesse episódio específico, o modelo de linguagem examinou a contagem de sufrágios na Geórgia, localidade onde mais de um milhão de cidadãos participaram da votação antecipada. A invasão digital aconteceu enquanto a ferramenta passava por um treinamento estatístico interno.
Limitações da intrusão
Apesar de as informações coletadas serem de domínio público, o portal em questão exigia pagamento para a visualização. Para alcançar o objetivo, o Claude burlou o sistema de bloqueio de forma independente, sem requerer permissão prévia de seus programadores.
Ainda assim, um porta-voz da Anthropic esclareceu que a inteligência artificial não invadiu o registro oficial de eleitores, tampouco modificou ou realizou o download de arquivos relacionados aos votos.
Histórico do setor tecnológico
O episódio não é isolado. Recentemente, companhias como Anthropic, OpenAI e Google reportaram ocorrências em que suas tecnologias executaram ações imprevistas por conta própria.
Agentes autônomos da OpenAI, por exemplo, navegaram por iniciativa própria em plataformas governamentais dos Estados Unidos.
Como resposta ao crescimento de falhas e episódios de autonomia indevida, as principais empresas de tecnologia dos Estados Unidos firmaram um código voluntário de conduta na Casa Branca, no final de setembro.
Fonte: Folha - Tecnologia