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Caderno Mercado

Anthropic alerta que inteligência artificial pode sequestrar TVs

Anthropic alerta que inteligência artificial pode sequestrar TVs

Londres — A empresa Anthropic emitiu um aviso alarmante sobre a possibilidade de vírus de inteligência artificial mal-intencionados assumirem o controle de dispositivos domésticos inteligentes, como televisores e fornos, inaugurando uma perigosa era na segurança cibernética.

Riscos na internet das coisas A desenvolvedora do Claude revelou em seu blog que agentes de IA estão a poucos meses de alcançar a capacidade de se “autorreplicar” entre aparelhos residenciais comuns, formando redes autônomas praticamente impossíveis de controlar.

Segundo a companhia, caso os modelos sigam evoluindo no ritmo atual, a tecnologia poderá se disseminar pela rede de computadores de forma autônoma, agindo como vírus tradicionais que migram de um equipamento para outro sem a necessidade de intervenção humana.

“Estamos vendo sinais de vida de vírus de IA”, afirmou a Anthropic em uma publicação sobre sua pesquisa, comparando a lenta propagação deles por dispositivos sem segurança a um “bolor pegajoso digital”.

Vulnerabilidade em eletrônicos O novo alerta da organização foca nos chamados aparelhos de internet das coisas, que se multiplicaram rapidamente com a adesão de consumidores a tecnologias que gerenciam sistemas de segurança, lâmpadas, tomadas e termostatos.

Boa parte desses equipamentos conectados apresenta falhas históricas de proteção por conta de uma fabricação voltada ao baixo custo, ao abandono de suporte por parte dos fabricantes ou ao uso voltado à transmissão ilegal de serviços de TV.

Esse cenário de hardware desprotegido abre espaço para criminosos virtuais, que já utilizam a capacidade de programação da IA para otimizar e agredir sistemas com maior velocidade.

O futuro das ameaças digitais Historicamente, pragas virtuais como o ILOVEYOU, o Stuxnet e o ransomware WannaCry ganharam destaque por sua capacidade de contaminação rápida em larga escala. Com a integração dos modelos avançados, os softwares maliciosos ganhariam autonomia inédita.

“Esperamos um futuro repleto de agentes operando em todos os tipos de hardware, inclusive alguns que não estarão sob controle humano”, afirmou a Anthropic. “Embora seja verdade que os dispositivos de ‘internet das coisas’ sejam vulneráveis há muito tempo, agentes leves podem estar muito mais dispostos do que invasores humanos a fazer o esforço necessário para comprometer grandes parcelas da capacidade computacional de ‘internet das coisas’ do mundo.”

A empresa ressalta que, inicialmente, a propagação funcionará de forma lenta, comparável a “um bolor ou a um enxame de moscas-das-frutas, que se reproduzem ao longo de vários dias”, mas a velocidade deve aumentar com o avanço tecnológico.

“Ainda não temos um replicador mal-intencionado completo, mas os agentes estão cada vez mais capazes de concluir as etapas individuais da cadeia de replicação”, concluiu a Anthropic. “Devemos buscar reforçar nossos sistemas para dificultar a disseminação desses replicadores, mas também nos preparar para lidar com um mundo no qual eles vieram para ficar.”

Fonte: Folha - Tecnologia